Eles podem sentir, amar, aprender, se divertir e trabalhar como qualquer pessoa e ter uma vida autônoma
O cromossomo do amor. Assim é chamado o material genético extra que resulta no cromossomo de número 21, dando origem ao que todos conhecem comumente como Síndrome de Down.
Hoje, 21 de março, é o dia reservado especialmente para as reflexões acerca dos portadores da síndrome, e acima de tudo, um combate ferrenho ao preconceito. Hoje é o Dia Internacional da Síndrome de Down.
Ela foi descoberta em 1866 por John Langdon Down, se trata de uma alteração genética que afeta o desenvolvimento do individuo, determinando algumas características físicas e cognitivas. Apesar de não haver estatísticas formais, uma estimativa pode ser levantada com base na relação de um para cada 700 nascimentos, levando-se em conta toda a população brasileira.
Vale destacar que as pessoas com síndrome de Down têm muito mais em comum com o resto da população do que diferenças. Segundo a psicóloga da Apae de Wenceslau Braz Tatiane Zambianco, eles podem alcançar um bom desenvolvimento de suas capacidades pessoais e buscar um nível satisfatório de realização e autonomia. “A pessoa com a síndrome é capaz de sentir, amar, aprender, se divertir e de trabalhar como qualquer outra levando, inclusive, uma vida autônoma”, explica a psicóloga.
A DIFERENÇA
Apesar das pessoas com síndrome de Down terem algumas semelhanças entre si, como olhos amendoados, baixo tônus muscular e deficiência intelectual, não são todos iguais. Por isso, é de extrema importância não tratá-los como um grupo único e uniforme. “Todas as pessoas têm características únicas, tanto genéticas herdadas de seus familiares, quanto culturais, sociais e educacionais”, explica a terapeuta ocupacional Tânia Rafael do Amaral.
DIREITOS
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência foi aprovada no Brasil em 2008, como norma constitucional. Ela diz que cabe ao Estado e a sociedade buscar formas de garantir os direitos de todas as pessoas com deficiência em igualdade de condições com os demais. Sendo uma importante ferramenta de acesso à cidadania e precisa ser mais difundida entre as próprias pessoas com deficiência, juristas e a população em geral.
A educação além de permitir acesso a conhecimentos proporciona benefícios pessoais. Isso não é diferente para pessoas com síndrome de Down. Além de transmitir conhecimentos acadêmicos, a escola é um passo importante no desenvolvimento psicoafetivo e no processo de socialização. “Conviver com pessoas de diferentes origens e formações em uma escola regular e inclusiva pode ajudar ainda mais as pessoas com síndrome de Down a desenvolverem todas as suas capacidades”, destaca a assistente social Laís Nogueira do Nascimento.
Atualmente, sabe-se que o desenvolvimento da criança depende fundamentalmente da estimulação precoce, do enriquecimento do ambiente no qual ela está inserida e do incentivo das pessoas que estão à sua volta. Com apoio e investimento na sua formação, os alunos com síndrome de Down, assim como outros estudantes, têm capacidade de aprender e dar continuidade à formação.
“É importante destacar que cada estudante, independentemente da deficiência, tem um perfil único com habilidades e dificuldades em determinadas áreas. No entanto, algumas características associadas à síndrome de Down merecem a atenção de pais e professores, como o aprendizado em um ritmo mais lento, a dificuldade de concentração e de reter memórias de curto prazo”, destaca Tatiane Zambianco.
FISIOTERAPIA
O bebê que tem síndrome de Down necessita de alguns cuidados ao longo de seu desenvolvimento. Uma das características da síndrome é a hipotonia muscular. “Os bebês nascem mais “molinhos”, por isso eles tendem a manter uma postura mais relaxada, já que seus músculos são menos tensionados e as articulações são mais frouxas”, destaca a fisioterapeuta Fabiane Cristina Chirite.
A fisioterapia colabora para o desenvolvimento motor da criança, ajudando a se movimentar de maneira correta e no fortalecimento físico. “No entanto, o bebê só pode iniciar a atividade após autorização do médico que o acompanha; no caso de crianças com síndrome de Down que nascem com algum tipo de cardiopatia grave, por exemplo, o tratamento de fisioterapia só indicado depois que o problema seja tratado”, explica a fisioterapeuta.
Talvez a maior barreira que a pessoa com a síndrome de Down passe seja a falta de conhecimento, a começar pela família e depois pela sociedade. Outro ponto negativo é o preconceito que apaga as virtudes e o potencial dessas pessoas, quando trabalhados de forma adequada, elas poderão ocupar o um lugar próprio e digno na sociedade.


