Presos iniciaram motim na última sexta-feira alegando falta de espaço e condições no local que abriga mais de 70 detentos, cuja estrutura foi projetada apenas para 24 presos
O município de Arapoti passou por um episódio dramático na última sexta-feira (21) quando os detentos da carceragem da delegacia romperam o cadeado de uma das celas e renderam o agente com uma barra de ferro afiada enquanto ele entrava na detenção para entregar as marmitas do jantar.
"Os presos o renderam lá dentro e tentaram a fuga, mas o investigador Angelo Simões que estava do lado externo percebeu a movimentação. Foi quando ele fechou a porta e acionou a Polícia Militar. Pedimos reforço para conter esse movimento", contou o delegado Gumercindo Atahyde.
Entre as exigências, eles pediam a transferência de 29 presos já condenados. Segundo a polícia, o grupo iniciou o motim por volta das 17h após fazerem o agente carcerário refém. Eles reclamam da superlotação da unidade, que foi projetada para abrigar 24 pessoas, mas possui atualmente 76 presos.
"Estão exigindo melhores condições e análise do judiciário em alguns processos em que os detentos estariam com direito a cumprir a pena em liberdade. Pedem providências para reduzir a superlotação, que realmente existe, e a remoção imediata de 29 presos para o sistema penitenciário, pois os mesmos já foram condenados", comentou o delegado.
A segurança no local foi reforçada por policiais militares e civis de Irati, Wenceslau Braz, Ponta Grossa e Jaguariaíva.
Desde o início da rebelião, a movimentação de parentes de presos em frente à delegacia foi grande. Eles buscavam informações sobre os detentos. De acordo com os investigadores, os presos passaram a noite em silêncio e o agente não foi ferido.
Durante as negociações os presos exigiam a presença de um juiz, de um promotor e da imprensa para concluírem as negociações e encerrarem a rebelião. Em troca do fim do motim, a polícia transferiu seis presos para a delegacia de Jaguariaíva, na mesma região.
Outra condição acertada é a de que seis presos com progressão de pena prevista sejam avaliados pela Justiça. "O juiz da cidade se comprometeu a fazer um mutirão carcerário na segunda-feira para ver a situação dos que já podem ser liberados", completou.
Por volta das 15h de sábado (22) o agente carcerário foi liberado e após 22 horas de rebelião, os presos encerraram o motim. Nenhum preso fugiu.
De acordo com o investigador Angelo Simões, cuja participação foi crucial durante as negociações, os detentos danificaram as câmeras do circuito de segurança.
MINISTÉRIO PÚBLICO
Já na manhã desta segunda-feira (24), o promotor de justiça José de Oliveira Júnior realizou uma visita às carceragens para avaliar a situação dos presos que estão condenados e ainda aguardam vaga na penitenciária. A equipe entrou em contato com o Ministério Público, contudo o representante não deu declaração a respeito.
DEPEN
Após ser questionado sobre as medidas que devem ser tomadas, como remoção dos presos para a penitenciária, o Depen (Departamento Penitenciário) informou a decisão depende também do Judiciário.
Em nota, o departamento informou que não houve danos estruturais na carceragem e ninguém ficou ferido.
Também foi informado que um mutirão carcerário foi iniciado pelo Judiciário. Serão analisados os processos criminais de todos os detentos da carceragem.
EM JULHO DE 2016
No último episódio de motim na mesma carceragem, três presos conseguiram escapar em julho do ano passado. A ação aconteceu durante o horário de visitas.
De acordo com a Polícia Civil, os presos aproveitaram o momento em que as mulheres dos detentos deixavam a cadeia e se misturaram no meio delas. Assim que alcançaram o portão, começaram a correr.


