Os números divulgados na matéria dos mandados de prisão no Norte Pioneiro trazem uma triste realidade das cadeias públicas das delegacias que, além de cheias, são administradas por uma quantidade defasada de servidores.
A marca de 430 não representa apenas mandados comuns em aberto, mas pessoas com alto potencial criminoso que estão à solta e muito próximas do cidadão de bem. Estima-se que cerca de 100 dos 430 mandados sejam por crimes como homicídio, estupro de vulnerável, latrocínio, entre outros crimes violentos.
Estatística que comprova que mesmo com as cadeias lotadas, a sociedade continua em perigo e o sistema penitenciário continua sem êxito na recuperação dos indivíduos. Apesar de buscar razões para acreditar, a situação parece só piorar com o tempo e o acréscimo (ínfimo) de contratação de servidores acaba sempre perdendo a corrida para o número crescente de pessoas que aderem ao crime.
Os delegados, que atuam sozinhos em uma comarca, acabam tendo desvios de função por terem que desempenhar, entre outros, um papel administrativo dentro das carceragens, tendo a uma só pessoa as atribuições de delegado cartorário, plantonista, chefe e administrativo; quando deveriam ter o auxílio de, no mínimo, mais dois delegados na mesma equipe. Economia, contenção de gastos ou acomodação por parte dos governos estaduais responsáveis pela contratação dos delegados civis? Não se sabe ao certo se os motivos interferem isoladamente ou em conjunto.
Mas uma certeza é clara, o sistema carcerário em delegacias está a um passo de explodir e quem receberá os estilhaços será a sociedade, que acompanha notícias de grandes cidades, muitas vezes maquiadas por um conluio midiático, e nem imagina o que acontece em seu próprio município.
Acabam voltadas para questões salariais (fazendo alusões de que os policiais ganham rios de dinheiro) sem ter a mínima noção do acúmulo de funções aos quais são submetidas as polícias Civil e Militar de todo país.
O que esses índice deficitário de servidores tem a ver com os 430 mandados de prisão em aberto? Sem policiais suficientes é impossível formar equipes de busca, enquanto dois saem pra procurar, faltam três para resolver questões internas. É a operação tapa-buraco, aliás, buracos, centenas, milhares de buracos.


