
Não é pecado sonhar com uma vida diferente da que se leva, muito menos manter a tradição de família e dar continuidade às atividades que deram o sustento durante toda vida. Na reportagem desta sexta-feira, é possível perceber que muitos filhos reconhecem a agricultura como a melhor opção para sua vida financeira.
Essa escolha, porém, tem duas faces, nas quais se revelam jovens que valorizam a profissão dos pais e se empenham da mesma maneira que assistiram a família se dedicar a vida inteira. A outra face acaba atingindo milhares de futuros, que muitas vezes são boicotados, não pela agricultura, mas pela falta de oportunidades.
O país que deveria incentivar a formação continuada, o ingresso no Ensino Superior e o encontro de uma profissão, acaba dificultando o processo de ensino dentro da própria escola. Levando alunos de bairros rurais a estudarem na cidade, com metodologias totalmente fora de sua realidade e incentivando o êxodo rural. Os cursos técnicos que poderiam ser oferecidos nas zonas rurais, envolvendo principalmente a atividade agrária, simplesmente não existem. Na verdade, nem mesmo as escolas tem se mantido dentro do campo, pois acaba sendo inviável pelo número de alunos, contudo o impacto desta transição é a perda de identidade e o anseio pela mudança de atividade na família. Mas a questão é: quantos dos que saem do campo acabam realmente tendo uma boa oportunidade de graduação?
A resposta é uma estatística desanimadora. Há 20 anos, dos jovens entre 18 e 24 anos apenas 6% da população brasileira com essa idade conseguia terminar o Ensino Médio e garantir uma vaga na faculdade. Em 2012, o índice havia subido 10 pontos percentuais, chegando a quase 16% em todo o país. Contudo, a parcela correspondente aos alunos provenientes da zona rural, nem é contabilizada, pois é ínfima.
A questão não é quantos jovens a zona rural perde todos os anos, mas quantas oportunidades esses jovens perdem por falta de incentivo, sendo assim, obrigados a se manterem no campo cultivando a terra, em vez de cursarem uma faculdade que poderia conciliar formação superior com a cultura familiar.


