Resultado da ação do tempo, após milhões de anos o destino das belas cachoeiras já retratadas por emissoras de todo Brasil, poderiam estar ameaçados mediante um projeto para viabilizar a construção de uma pequena usina hidrelétrica, a Santa Helena Energia Ltda, com sede em Curitiba.
Já com etapas do estudo avançadas, a empresa apresentou o projeto à população em 2014, quando a população começou a tomar conhecimento do que a pequena central hidrelétrica (PCH) no Rio das Cinzas representaria.
Diante da opinião contrária da maioria da população, incluindo entidades eclesiásticas e ONG’s como a Cidadania em Ação que se envolveu de forma ferrenha na luta pela preservação do bem natural, o projeto foi paralisado por falta de investimentos e recursos provenientes do BNDES e não deu continuidade até agora, três anos depois da apresentação da PCH.
Contudo o assunto não deixou de ser discutido e na tarde da última segunda-feira (10) autoridades peritas no assunto se reuniram com integrantes da administração municipal para colocar o Salto Cavalcanti novamente na pauta.
[caption id="attachment_21540" align="aligncenter" width="700"] Investimento de R$ 300 mil para construção do parque no Salto Cavalcanti foi possível através de emenda parlamentar do deputado João Arruda[/caption]
O prefeito Flavio Zanrosso (PSD) já iniciou a reunião garantindo que sua oposição à construção da usina continua e se mostrou receptivo à sugestões para utilizar o dinheiro da emenda recebida do deputado federal João Arruda (PMDB). “Recebemos R$ 300 mil para investir na construção de um parque no Salto e agora inicia a discussão das prioridades, a formalização dos projetos e consolidação do polo turístico”, comentou.
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O biólogo Laércio Ribeiro Renó, que elaborou um documento relacionando os prejuízos que a construção da hidrelétrica poderia causar à região, também esteve na reunião para manifestar seu contentamento na criação do parque. “A revitalização da área será crucial para fomentar o turismo. Hoje o acesso à cachoeira está comprometido, devido à estradas ruins e ao matagal que se instalou com o abandono; contudo a criação de uma área de contemplação trará de volta turistas de toda região”, comemora Renó.
O objetivo da criação do parque, segundo o prefeito, é propiciar uma área de contemplação que permita que as pessoas estacionem seus veículos em um local seguro e limpo. “O projeto inclui o plantio de árvores, a construção de bosques, estruturas para que as pessoas possam se sentar, banheiros, passarelas, enfim, todo suporte para que os visitantes se sintam a vontade para apreciar a beleza natural do nosso município”, pontua Flavio.
Em entrevista especial à Folha Extra, o deputado João Arruda falou sobre a importância de investimentos em pontos turísticos importantes para o Norte Pioneiro como o Salto. “Tomazina, além de ser uma cidade histórica, também tem belezas naturais que recebendo investimentos, ajudará a alavancar o turismo da região que será aprimorado através dessa parceria com o Governo Federal. Oferecendo estrutura adequada tanto às pessoas que vivem na região, quanto às que vem de fora, Tomazina pode ser protagonista dessa revitalização do turismo na região”, afirma.
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Um dos cidadãos que abraçaram a causa e lutaram para que o Salto não perdesse sua identidade de ponto turístico foi o advogado Laércio Ademir dos Santos que também esteve presente na reunião. “A mobilização feita para paralisar o projeto foi imensa, conseguimos o apoio de autoridades religiosas e diversas comissões de preservação para iniciar a petição pública que ganhou milhares de assinaturas. Todos demonstraram o valor de uma cultura que prioriza o patrimônio natural, cujos protetores somos nós cidadãos”, relembra Santos.
O presidente da organização Cidadania em Ação Tomazina, João Inácio Wenzel, explica que a ONG iniciou uma ação cível para barrar a construção da PCH amparo jurídico do advogado Santos e do parecer técnico do biólogo Laércio. “Apesar de Tomazina ter inúmeros pontos que necessitam de preservação, o foco da ação cível foi o Salto porque estava ameaçado. Com o sucesso da suspensão temporária do projeto, abrimos espaço para que haja investimentos na condição atual do local, proporcionar uma infraestrutura básica é o caminho para modernizar o turismo sem destruir a natureza”, finaliza o presidente.
Resta à população de Tomazina e região aguardar que o local ganhe a atenção necessária para voltar a ser o polo do turismo regional que sempre foi, atraindo milhares de pessoas para contemplar a maravilha natural chamada Salto Cavalcanti.


