De acordo com a médica Maria Fernanda Souza e Silva que atua no sistema público de Wenceslau Braz, os dois grupos principais são a Diabetes do tipo 1 e tipo 2. “Diabetes é um processo de resistência insulínica no organismo. Existem dois tipos: o tipo 1 é aquela em que a pessoa já nasce com algum problema no pâncreas e não produz insulina, já a tipo 2 é aquela que, por algum motivo, a organismo desenvolve uma resistência à atuação dessa insulina podendo evoluir para não fabricação de insulina”, explica.
O desenvolvimento da doença está relacionado diretamente à alimentação e estilo de vida do indivíduo. “A pessoa que desenvolve a diabetes passa por um processo chamado síndrome metabólica, apresentando sobrepeso e resistência insulínica e problemas de pressão. Está relacionada a alterações no metabolismo ligadas à alimentação, o que leva a resistência à produção ou ação da insulina”, pontua a médica.
Maria Fernanda aponta a necessidade da realização de alguns exames para o diagnóstico. “É possível descobrir através de exames laboratoriais, como a glicemia de jejum e depois disso a hemoglobina glicada ou glicosilada. O histórico clínico do paciente é importante para o diagnóstico. Alguns sintomas também são a vontade de ir ao banheiro com frequência e/ou muita sede”, explica.
Anderson Rodrigues é professor de educação infantil e descobriu ter diabetes ainda na infância. “Eu tinha onze anos e comecei a passar mal, emagrecer muito e sentir muita forme; acordava várias vezes a noite, sentia muita sede e cansaço, aí minha mãe me levou ao médico e eu descobri a doença”, relata.
O tratamento é realizado em duas etapas que contam com mudanças no estilo de vida e uso de medicamentos de acordo com a necessidade e estágio da doença apresentado pelo paciente. “O mais importante para o tratamento da doença é a mudança do estilo de vida, pois é o fator que desencadeou a síndrome metabólica. A mudança envolve alimentação e pratica de exercícios. Também pode ser utilizado o tratamento com medicamentos”, comenta a doutora.
Para Anderson, é importante que a pessoa tenha consciência da doença. “É importante que pessoa se conscientize se reeduque, não só na alimentação, mas em tudo. Tem que ter consciência de mudar o estilo de vida para ser normal e saudável. Ao descobrir a doença parece que a vida acabou e não vai poder fazer mais nada, mas não é assim. Hoje em dia levo uma vida normal, saio, me divirto, me exercito”, relata o jovem.
Diferentes medicamentos são utilizados no tratamento da doença na maioria de uso oral e a insulina. “É utilizada uma medicação que pode ser associada à outra. Caso não apresente resultados, nós passamos para insulina que é a última porque existe uma certa resistência das pessoas em a aceitarem por causa do meio de aplicação”, e a médica complementa “em certos casos onde o paciente apresenta um nível de glicemia a cima de 300 ou 400 mg/dL é utilizada a insulina, pois há necessidade de uma ação rápida do medicamento”, explica.
A diabetes pode se tornar uma doença crônica e sem cura, por isso é importante manter um checkup e acompanhamento médico, pois o diagnóstico precoce pode reverter à síndrome metabólica e evitar que doença se agrave. “O tratamento da diabetes vai se estender praticamente pelo resto da vida da pessoa, pois quando o paciente descobre que é diabético ele já está em um estágio avançado da doença não sendo possível reverter”, pontua.
Em casos extremos e sem tratamento, a diabetes pode causar morte do paciente. “O diabetes causa uma inflamação interna sistêmica no organismo ocasionando problemas de pressão, formigamentos, problemas na retina e nos rins, e até mesmo levar a um infarto”, alertou.
As pessoas devem evitar alimentos com açúcar e carboidratos simples, além de consumir alimentos saudáveis. “A melhor forma de prevenir à diabetes é uma alimentação saudável com base em frutas, legumes, vegetais e uma quantidade moderada de carnes. Outro fator importante é realizar exames de rotina para identificar a síndrome metabólica, podendo realizar o tratamento e reverter o quadro”, alertou a médica.
A diabetes na gestação pode causar riscos ao feto e a mãe, sendo considerada uma gravidez de alto risco. “Temos um controle bem rígido com gestantes, pois causa problemas com a macrossomia fetal, ficando o feto maior do que o esperado e pode sofrer de hipoglicemia após o nascimento e ficar na UTI”, relata.
PROJETO DIA DOCE
A região do Norte Pioneiro conta com um projeto desenvolvido pela 19ª Regional de Saúde, o “Dia Doce”, que atende pacientes do tipo 1 de 22 municípios.
A enfermeira Mariana Coelli Torres está há 8 meses no projeto e explica como funciona. “O atendimento é direcionado a pacientes com diagnostico de diabetes tipo 1. Ele vai ao projeto e passa por uma equipe multidisciplinar com enfermeiro, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo e médico endocnologista”, pontua.
Para chegar ao projeto, o paciente é identificado pelo município que, através de um profissional da saúde, preenche formulário com perguntas básicas para diagnóstico. O documento é encaminhado para Jacarezinho e o agendamento é direto, sem esperar vaga ou sistema.
Após essa etapa, é agendada uma consulta para o paciente. “Ele realiza uma primeira consulta com todos profissionais, e o retorno é de acordo com a necessidade de cada um, geralmente a cada três meses. Os atendimentos são realizados as sextas feiras e contemplam cerca de 200 pessoas”, explica Mariana.
O Dia Doce ainda conta com a realização de atividades em grupo antes do atendimento individual. Nas sextas- feiras são abordados temas relacionados à diabetes, ministradas aulas e encaminhamento para atendimento individual. Os pacientes também conseguem medicamentos obtidos na rede pública, como é o caso das canetas de insulina e glicosímetro que tornam o processo de controle da doença mais prático e menos doloroso.



