A doação de órgãos é muito importante para diminuir a fila de espera por transplantes e, mesmo o Paraná sendo o segundo Estado com maior número de doações, Wagner dos Santos de Andrade teve que aguardar 16 anos na fila de espera para conseguir um rim.
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No caso do rapaz, os dois rins não funcionavam e, por este motivo, havia a necessidade de ir ao Hospital três vezes por semana para realizar o tratamento de hemodiálise, onde, através do uso de uma máquina, se filtrava o sangue, ou seja, o equipamento fazia o trabalho que os rins doentes não poderiam fazer. O procedimento elimina do corpo os resíduos prejudiciais à saúde como, por exemplo, o excesso de sal e líquidos.
Depois de muita luta, no último mês de maio ele conseguiu a doação de um rim e o procedimento foi realizado no Hospital Nossa Senhora do Rocio, em Campo Largo. Wagner recebeu o órgão de uma pessoa que faleceu e agradeceu imensamente a família que permitiu a doação.
“Quando uma família doa os órgãos de um ente querido, ela está salvando várias vidas. Eu gostaria muito de conhecer a família do meu doador, infelizmente, isso não é possível, mas fica aqui os meus sinceros agradecimentos a esses familiares que me proporcionaram uma vida normal depois de 16 anos”, agradeceu.
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Atualmente Wagner tem 32 anos e passou metade de sua vida em uma rotina exaustiva onde ia três vezes por semana à Santo Antônio da Platina fazer sessões de hemodiálise.
Apesar de toda espera, as doações de rim e fígado lideram o ranking de órgãos transplantados.
O DESEJO DE DOAR
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Desde muito nova, Poliana Maiara de Andrade, irmã de Wagner, tinha vontade de fazer a doação de um rim para seu irmão. Tudo começou quando a família recebeu a notícia que Wagner necessitaria de um transplante, a jovem sentia o desejo de ajudar o irmão, e desde o início, perguntava aos familiares como funcionava o processo de transplante.
O desejo de doar aumentou quando, em 2008, Wagner ficou em estado grave no hospital. Não encontrando outra solução, a menina com 15 anos entrou em contato com o médico do irmão, porém, pela idade, não pode doar. “Lembro como se fosse hoje, liguei entusiasmada para o médico demonstrando minha vontade de doar, mas, ele me perguntou quantos anos eu tinha, quando eu disse que tinha 15 anos, ele me informou que eu precisaria ter ao menos 22, e me pediu para retornar quando eu completasse idade”, relata.
Assim que completou seus 20 anos, Poliana começou a fazer uma bateria de exames para quando completasse 22 já pudesse doar. “Quando eu completei idade, eu voltei a insistir, fiz os exames necessários, porém, em um dos últimos veio a notícia de que não poderia fazer operação por ter um cálculo renal. Neste momento, eu fiquei desesperada”, relembra.
Insatisfeita com a resposta da médica, Poliana entrou em contato com outro hospital. “Marcamos consulta no Hospital Nossa Senhora do Rocio e, em apenas um dia eles fizeram todos os exames, aguardamos o resultado e a médica já marcou a nossa cirurgia para o dia 17 de maio, porém, cinco dias antes, eles nos informaram que havia aparecido um rim compatível para ele”, vibra.
Wagner conta que Já estava tudo preparado para fazer a cirurgia quando receberam a notícia. “Eu já estava ansioso, faltava apenas cinco dias, estava tudo preparado para naquela quarta-feira eu voltar a ter uma vida normal, o medo já se tornava presente, algumas vezes pensei em desistir, mas o desejo de voltar a ter uma vida normal me manteve firme e, graças a Deus, pude receber um órgão antes mesmo do esperado”, comemora.
Ele ainda ressaltou a importância de fazer doações. “São gestos muito importantes que salvam vidas e, muitas vezes, o medo interfere a execução do ato, porém, se trata de uma cirurgia simples, onde após dois dias as pessoas vivem normalmente e, ainda proporcionam isso a outras pessoas”, enaltece.
DOAÇÕES
A maior parte das doações de órgãos acontece quando há morte encefálica de um paciente. Quando isso ocorre, eles se tornam potencias doadores de órgãos e tecidos. Já os que sofreram parada cardiorrespiratória podem doar tecidos como: córneas, pele, válvulas cardíacas e ossos.
De acordo com o Sistema Estadual de Transplantes, 127 doações resultaram em 322 transplantes de órgãos e 368 de córnea, ou seja, uma pessoa que falece de morte encefálica dá condições de uma saudável e de qualidade a várias pessoas.
As ações feitas pelo Estado para incentivar a doação de órgãos e diminuir a fila de espera de transplantes tem acontecido constantemente. “Estamos constantemente trabalhando para fazer com que os números de doações de órgãos e transplantes continuem aumentando. O Paraná é o segundo Estado com maior número de doações efetivas de órgãos do País. Iniciativas como esta têm como objetivo diminuir ao máximo o tempo que um paciente passa na fila de espera para receber um órgão”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Michele Caputo Neto.
O Paraná registrou no mês de abril o maior número de doações efetivas de órgãos da história do Estado. Segundo estatísticas da Central Estadual de Transplantes (CET) foram 47 doações no último mês. O maior número registrado até então foi 45 doações, em agosto de 2016.
IMPORTÂNCIA
É muito importante que as famílias conversem entre si sobre futuras doações, para quando haja a inevitável morte, o procedimento possa ser executado.
As doações entre parentes vivos podem ser feitas por qualquer pessoa que esteja disposta e se enquadre nos quadros estipulados pelas equipes médicas. Já no caso dos falecidos, estes podem doar mediante autorização judicial.
“É muito importante que as pessoas doem, a doação é um ato de amor lindo que salva vidas. Com a doação, várias pessoas assim como eu podem voltar a ter uma vida normal. Eu gostaria que as pessoas soubessem o que isso representa, é como voltar a viver ou nascer de novo”, finaliza Wagner.