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Redes sociais como Facebook começam a banir pessoas com postagens de ódio

Redes sociais como Facebook começam a banir pessoas com postagens de ódio

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Em sua conta no Twitter, Fernanda Montenegro não aparece desde abril de 2011. Ainda assim um dos tuítes de maior repercussão na semana trazia sua assinatura. Postado por um anônimo, reproduzia uma declaração da atriz sobre as contínuas exortações de grupos de extrema direita a uma intervenção militar no país. Ei-la: "Pedir a volta dos militares é coisa de doentes mentais." Embora acolhido e retuitado com entusiasmo pela maioria dos internautas, não sem motivo inquietos com uma velada ameaça intervencionista horas antes feita pelo general Antonio Hamilton Mourão, o esculacho de Fernanda despertou a ira dos que acreditam que só uma quartelada pode dar fim à atual crise política e erradicar a corrupção. Uma ira insana, hidrófoba, selvagem, a fúria padrão dos haters das redes sociais.

Nossa maior atriz foi xingada de quase tudo: de "vendida à Rede Globo", de "velha carcomida" - sem exclusão do "merda" a que volta e meia Chico Buarque e outros também costumam ser reduzidos pelos visigodos da internet. Umberto Eco até que pegou leve ao lastimar que a maior contribuição das redes sociais tenha sido dar voz aos imbecis. São mais do que imbecis aqueles que, envenenados por preconceitos e pela ignorância, fizeram do Facebook, Twitter e congêneres uma espécie de Al-Qaeda digital.

O Bin Laden dessa tribo é Donald Trump. Com expediente full time no Twitter, sua plataforma eletrônica favorita, Trump estimulou a degeneração da blogosfera numa praça de guerra verbal, com ininterruptos atentados à verdade, ao bom senso e ao debate civilizado.

Encorajado pela desabrida grossura do presidente, o belicoso fanatismo da ultradireita espalhou-se na rede como uma peste sem controle, satanizando e até ameaçando de morte negros, judeus, homossexuais e quem mais considere indignos de viver na "América branca e pura". Culminando com a marcha racista (supremacista é eufemismo) de 12 de agosto, em Charlottesville, na Virginia.

A partir daquela exibição pública de atrevimento e agressividade, o nível de hostilidades na internet aumentou numa escala assustadora, com internautas assumidamente racistas, neonazistas, homofóbicos, sexistas e jingoístas proliferando feito ratos em sites e nas principais redes sociais. Individualmente e em grupo, com suas verdadeiras identidades ou covardemente ocultos por um pseudônimo.

Como se estivessem celebrando o vigésimo aniversário da expressão "hater", que supostamente floriu na letra de um sucesso pop do ator Will Smith, Gettin’ Jiggy Wit It, referindo-se apenas a pessoas contaminadas pela inveja, os destiladores de ódio na rede tanto extrapolaram que os gigantes da internet decidiram bani-los de seus domínios. Pois além das consequências previsíveis, o radicalismo dos odientos estaria espantando anunciantes.

A limpeza começou por clientes individuais, como o skinhead antissemita Christopher Cantwell, expulso do site de relacionamento OkCupid, e logo os vigias da internet passaram a barrar também grupos e organizações.

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