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“Estou pronto para governar o Paraná”, afirma Osmar Dias
“Estou pronto para governar o Paraná”, afirma Osmar Dias
da Redação30/10/2017
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Em entrevista exclusiva aos jornais da Associação dos Diários do Interior (ADI Paraná), o ex-senador Osmar Dias reafirma sua candidatura ao governo do Paraná em 2018 e diz que a sua prioridade no momento é finalização do plano de governo que irá apresentar no próximo ano. “Irei apresentar um plano que obedeça as vocações regionais através de um zoneamento das necessidades e aptidões de cada região do Paraná”.
Ainda filiado ao PDT, o ex-senador também falou sobre o panorama político e disse que no momento não avalia uma mudança de partido. Tal decisão, segundo ele, será tomada apenas quando o cenário político for mais claro. Osmar recebeu convites para integrar o Podemos, do seu irmão Álvaro Dias, que é pré-candidato à Presidência da República, e também do deputado Luiz Claudio Romanelli, líder do governo na Assembleia Legislativa, para se filiar ao PSB.
ADI - Por que o senhor resolveu voltar à política, depois de quase sete anos afastado, sem disputar eleições?
O.D - Eu fiquei 6, 7 anos afastado e pensei em voltar para dar a minha contribuição. Estou preparado, aliás, já estava preparado em 2006 e em 2010. A população fez outra escolha, eu aceitei e respeitei, mas continuei me preparando e trabalhando de forma séria. Quando convidado para a vice-presidência do Banco do Brasil fui exercer um cargo técnico e desempenhei fazendo bem feito, como sempre fiz em toda função que exerci. Não fui exercer um cargo político e sim um cargo técnico. Quando cheguei, o crédito para a agricultura brasileira no Banco do Brasil era de R$ 70 bilhões, quando saí deixei com R$ 180 bilhões para os agricultores brasileiros, com vários programas novos que estão permitindo que a agricultura e o agronegócio sejam o salvador da pátria neste momento. Se as pessoas de bem não se unirem neste momento, o país aí sim não terá jeito.
ADI - Qual a sua principal motivação para ser candidato ao governo?
O.D - É a vontade de querer implantar um modelo ousado de gestão para impulsionar a economia do Paraná e, consequentemente, criar milhares de novos postos de trabalho no campo e na cidade.
ADI - O senhor fica no PDT ou pretender trocar de partido? Já está descartada a possibilidade de que o senhor integre o Podemos, do seu irmão Álvaro Dias?
O.D - Não descarto esta possibilidade, até porque estamos conversando a respeito dela. Porém não vejo possibilidades neste momento de fazer qualquer mudança de partido sem ter um cenário mais claro do que significará lá na frente o projeto do Podemos a nível nacional. Como o Álvaro disse, vamos aguardar as alianças no estado para definir nossos apoios. Vamos aguardar os projetos do Podemos para definirmos o nosso rumo.
Eu não cogito sair do PDT neste momento porque não vejo razão para isso.
ADI - O senhor tem alguma preocupação que o fato de ter trabalhado no Banco do Brasil, no governo Dilma, possa ser explorado por seus adversários negativamente?
O.D - Poderia ter preocupação também se o governo fosse do Aécio Neves. O que me desabona ter ocupado um cargo técnico no governo Dilma? Eu ocupei um cargo no Banco do Brasil que é uma empresa que tem mais de 300 anos, respeitada, que tem uma governança séria e faz um trabalho excepcional, principalmente na área de agronegócio, a qual assumi e também a área de micro e pequenas empresas. Me orgulho de ter feito lá um trabalho que criou, por exemplo, um programa de armazenagem. Temos no país um déficit de 60 milhões de toneladas. Só com o programa que criei no BB, já cobrimos 20 milhões de toneladas de déficit.
ADI - O governo Temer anunciou a intenção de privatizar inúmeras estatais, entre as quais a Eletrobras. Como o senhor vê isso?
O.D - Isto é colocar o Brasil à venda. Você vender o setor elétrico, energético, principalmente porque nós sabemos que vêm aí os chineses com todo o dinheiro que têm para investir e comprar nosso setor energético, significa colocar em risco as futuras gerações.
ADI - Na sua avaliação, qual o maior desafio para governar o estado?
O.D - O Paraná precisa retomar sua capacidade de investimento, especialmente para fazer obras de infraestrutura. O Paraná é a quinta economia do País, o sexto Estado em população, o terceiro maior gerador de empregos com carteira assinada e o maior produtor de grãos do país. Precisamos investir na industrialização e, especialmente, na agroindustrialização. Há descompasso entre o que é arrecadado no Estado e o retorno recebido em investimentos do governo federal. Precisamos de investimentos federais em logística, infraestrutura, ensino superior, habitação e em programas sociais.
ADI - O pedágio no Paraná é o mais caro do Brasil e os atuais contratos vencem em 2021. Caberá ao próximo governador dar uma solução para o tema. O que o senhor pensa sobre o assunto?
O.D - Da minha parte, o que proponho é uma nova licitação com novo modelo de pedágio. Há quem diga que não há possibilidade de prorrogação dos contratos de pedágio, que esse é um assunto ultrapassado.
Hoje nós pagamos sem saber o que estamos pagando, porque muitas das duplicações que eram previstas no contrato, nós nem sabemos quais eram. Aí não são feitas e a população continua pagando. Uma das concessionárias faturou R$ 860 milhões no ano de 2016 e teve um lucro de R$ 250 milhões, mais de 30%.
Eu pergunto: qual é o negócio hoje no Brasil que dá 30% de lucro? De rentabilidade líquida? Só o pedágio. Então está errado. Tem que haver uma decisão que seja clara neste sentido em se fazer uma nova licitação com um novo modelo de pedágio. Esta é a decisão.
ADI- Quais as possibilidades de alianças, com que partidos o senhor já conversou?
O.D - Quero deixar claro que não estou discutindo aliança neste momento. Aliança política se faz em cima de um projeto. Nós estamos elaborando um projeto e vamos discutir as alianças no ano que vem. Mas uma coisa, eu afirmo: só aceitarei em nossa aliança política com partidos que pensem assim como eu. Política moderna tem que ser aquela que eu sempre fiz: com seriedade, respeito à população, e com eficiência do Estado que hoje está precaríssima. Neste momento, as alianças partidárias têm um papel secundário e a legislação eleitoral tem que ser respeitada.
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