A cada 66 minutos um paranaense morre em decorrência de erros dentro de hospitais, que vão desde falhas banais, como erros de dosagem ou de medicamento, ao uso incorreto de equipamentos. Os dados, levantados com base na metodologia adotado pelo Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar do Brasil, divulgado na quarta-feira (22) pelo Instituto de Saúde Suplementar (IESS) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), indicam que em 2016 podem ter ocorrido 8.130 mortes (média de 22 por dia) nos hospitais públicos e privados do Paraná em decorrência de condições adquiridas nos hospitais.
Para se ter noção do que essas mortes representam, por ano, segundo informações do Ministério da Saúde, morrem cerca de 70 mil pessoas do Paraná. O número de óbitos por razões adversas, portanto, responde por 11,6% do total, superando as sete mortes causadas diariamente por acidentes de trânsito no Estado, os oito óbitos provocados pela violência e ficando atrás apenas dos cerca de 37 registros por câncer e dos 55 relacionados à problemas cardiovasculares.
Ao longo do ano passado, 811.511 paranaenses foram assistidos pela rede hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS) e outras 478.849 pela rede suplementar de saúde (convênios), totalizando 1.290.360 paranaenses internados na rede hospitalar. Usando ainda como base o estudo já citado, temos então que 92.906 paranaenses (7,2% do total) foram vítimas de pelo menos uma condição adquirida intra-hospitalar em 2016.
No Paraná, esses problemas fariam um rombo de mais de R$ 700 milhões.
SINDICÂNCIAS
Cinco sindicâncias são abertas a cada dois dias pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) contra profissionais do Estado a partir de denúncias encaminhadas por iniciativa do próprio Conselho. Mas se o número de denúncias e investigações preliminares é grande, por outro lado os processos ético-profissionais e mesmo as punições são fatos bem mais raros, uma vez que apenas 28,9% das investigações preliminares resultaram em processo. Além disso, dos médicos julgados, somente 17,2% foram punidos.Segundo o CRM-PR, o baixo índice de processos abertos e de punições aplicadas se deve ao bom trabalho dos médicos paranaenses e ao fato de grande parte das denúncias não terem o embasamento necessário para motivar uma punição.“A grande maioria das situações não culminar em processo, em condenação, significa que o profissional médico do Paraná é extremamente bem preparado, que fazemos um bom trabalho”, argumenta Maurício Marcondes Ribas, Corregedor-geral do CRM-PR.


