O que resta a alguém que viu seu mundo desabar de um dia pro outro? Essa foi a pergunta que Everson Costa se fez durante os últimos anos, após em maio de 2015 ser vítima de um AVC isquêmico (Acidente Vascular Cerebral).
Com apenas 43 anos, Everson conta que ao levantar da cama na manhã de uma terça-feira, sentiu um forte mal estar e acabou caindo e, ao ser levado para o hospital, constataram que ele havia tido um AVC. “Eu não tinha noção da quantidade de problemas que estavam me assolando, eu fui diagnosticado com hipertensão e diabetes, além de uma condição congênita que faz meu coração bombear sangue com dificuldade. Eu poderia ter morrido, mas não era a hora”, relembrou Everson.
Durante a recuperação, o ex-segurança sentia os impactos do acidente vascular. Everson ficou aproximadamente um mês na cama, com sentidos prejudicados e sem equilíbrio para se levantar. Passou a morar sozinho, tendo que cuidar ele mesmo da casa, alimentação e higiene se via atordoado diante das limitações. “Muitas vezes me queimei preparando a comida, pois a mão hora governava, hora não, tive que contar com a ajuda dos amigos para arcar com as despesas, pois eu não trabalhava registrado e saí sem direito a nada”, afirmou.
SEGUNDO AVC
Durante sua recuperação, Everson sofreu um novo AVC que, desta vez, comprometeu sua visão. “A segunda vez que aconteceu, senti uma dor de cabeça horrível, que não passava e quando fui ao médico ele me deu a notícia de que eu tinha tido um novo AVC. A tomografia comprovou e desta vez eu senti que meu olho esquerdo não estava mais igual antes”, relata.
Agora, além das despesas que tem com o aluguel da casa, luz, água e alimentação, Everson precisa de um óculos de grau para poder melhorar a visão, evitando possíveis quedas.
Quando questionado sobre seu caso, o ex-segurança afirma que o médico foi incisivo e constatou que seu problema era congênito e que ele apenas não tinha conhecimento da doença até ela se agravar. “Através dos exames, o médico me disse que eu sempre tive problemas de pressão alta, mas eu não imaginava, apesar de minha mãe ter falecido com apenas 33 anos do mesmo problema, nunca tinha ido atrás para saber se eu também era hipertenso”.
CAUSAS
Segundo o neurocirurgião Claudio Renato Biaggi, o AVC isquêmico tem sua principal causa associada à hipertensão não controlada, sendo o tabagismo e a arritmia cardíaca dois dos principais agravantes que podem levar ao acidente vascular.
“Essa condição é chamada de isquemia, porque há uma obstrução da artéria, impedindo a passagem de oxigênio para as células cerebrais, que morrem, e acabam acarretando em sequelas para o paciente”, explica Biaggi.
BENEFÍCIO
Sem nenhuma fonte de renda e sem poder trabalhar e agora com 45 anos, Everson buscou seus direitos junto à previdência social que, após a primeira perícia com um clínico geral, teve o benefício negado. “Quando me perguntaram o que eu fazia, eu disse que era segurança há mais de 20 anos e, além de outros afazeres como instalar calhas em casas, era a única função que eu sabia exercer. Após isso, fui orientado a arrumar outra ocupação, trabalhar em algo diferente, mas o que eu faria sem andar e nem enxergar direito?”, conta Everson.
A afirmação sobre a situação de saúde era verdadeira e, até hoje, quase três anos após o primeiro episódio fatídico, o ex-segurança sofre com as sequelas do AVC. Com a mão e as pernas trêmulas, ele passou a contar com a ajuda dos amigos para sobreviver.
Um segundo laudo, desta vez com um neurologista, foi requerido pela Justiça Federal, sendo este um parecer favorável à concessão do benefício. A sentença está prevista para sair em alguns dias, após as vistas do juiz Rogério Cangussu Dantas Cachichi.
UM GESTO
Para aqueles que desejarem fazer doações de qualquer valor à Everson Carlos Costa, duas contas bancárias no nome do rapaz estão disponíveis para receber doações.
Banco Itaú
Agência - 3825
Conta - 15930-8
ou
Caixa Econômica Federal
Agência - 1951
Conta 013.00045861-4


