A “janela partidária” ou “janela da infidelidade” que abre no próximo dia 7 um período de um mês em que deputados federais poderão trocar de partido sem o risco de perder o mandato está agitando o “mercado” de mudança de siglas entre a bancada paranaense em Brasília. Pelo menos sete dos 30 deputados do Estado na Câmara Federal admitem a intenção ou a possibilidade de trocar de legenda até 7 de abril, quando termina o prazo para quem vai disputar a eleição de outubro definir seu destino partidário. Isso apesar de oito dos 30 deputados eleitos em 2014 já terem mudado de sigla desde então.
Na semana passada, o deputado Aliel Machado, que foi eleito pelo PCdoB e depois trocou a legenda pela Rede da ex-ministra Marina Silva, divulgou a decisão de migrar para o PSB assim que for aberta a “janela”. “Junto com uma das lideranças mais respeitadas do parlamento brasileiro, o deputado Alessandro Molon, aceitei o convite para ingressar no Partido Socialista Brasileiro (PSB)”, alegou ele.
Osmar Serraglio, eleito pelo PMDB, partido ao qual sempre foi filiado, deve mudar para o PP. Ele teria perdido espaço no partido presidido pelo senador Roberto Requião no Paraná, seu adversário político. Serraglio mira apoio a Cida Borghetti (PP) ao Governo do Estado, em provável aliança com o governador Beto Richa (PSDB), que pode ainda sair candidato ao Senado.
Outro deputado da lista de trocas é Fernando Francischini, eleito em 2010 pelo PSDB, trocou a legenda pelo PEN em 2012 e depois pelo Solidariedade (SD), pelo qual foi reeleito em 2014, e hoje ensaia mudança para o PSL. A migração de Francischini está atrelada à vontade do presidenciável Jair Bolsonaro, que chegou a anunciar junto com o paranaense a mudança ao PEN-Patriotas. O partido até mudou de nome e estatuto para abrigar o novo grupo e Francischini já se dizia presidente da legenda no Paraná. Mas Bolsonaro desistiu, alterando com isso os planos de todo o grupo. Agora, o PSL parece ser o caminho para ambos.
Esse movimento acabou por causar a saída de Alfredo Kaefer do PSL. O paranaense, eleito pelo PSDB em 2006, trocou a sigla tucana pelo PSL em 2016 e agora deve mudar para o Podemos (PODE). Kaefer teria se sentido excluído por Bolsonaro que não o procurou para falar sobre as mudanças no partido. Como a maioria, ele só aguarda a abertura da janela para anunciar a mudança. “Outros partidos também abriram espaço”, diz a assessoria.
COMANDO
O Podemos hoje é comandado pelo senador e presidenciável Alvaro Dias e isso pode ter influenciado Christiane Yared em sua mudança de legenda no ano passado, já que Alvaro é quem deve decidir que será candidato ao Senado pelo partido.
A deputada federal com maior número de votos entre os paranaenses em 2014 foi eleita pelo PTN (antigo Podemos) e hoje está no PR. Com intenção de disputar o Senado neste ano, Yared mudou de partido durante a “janela partidária” no início de 2016. Em 2014, o PTN se aliou ao PT, PDT, PRB e PCdoB. A parlamentar - que votou a favor do impeachment da petista Dilma Roussef - migrou para o PR, que naquele ano formava uma aliança com PSDB, DEM, PSC, PTdoB, PP, SD, PSD e PPS.
Também mudaram de partido Toninho Wandscheer, eleito pelo PT e hoje no PROS; Assis do Couto, eleito pelo PT e hoje no PDT; Edmar Arruda, eleito pelo PSC e hoje no PSD; Sandro Alex, eleito pelo PPS e hoje no PSD; além dos suplentes Nelson Padovani (suplente em exercício), que disputou a eleição pelo PSC e hoje está no PSDB; e Paulo Martins que disputou a eleição pelo PSC e exerceu a suplência no PSDB e atualmente ocupa o cargo de secretário especial de Representação do Paraná em Brasília. Martins também já declarou interesse em mudar de partido para disputar as eleições deste ano.


