A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) promoveu na manhã desta terça-feira (6), por proposição do deputado José Lemos, o Professor Lemos (PT), uma audiência pública para debater “O combate à violência contra as mulheres do campo”. Lideranças de movimentos sociais e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam as galerias e tribunas de honra no Plenário da Casa para assistir a palestrantes que expuseram dados sobre o tema e falaram ainda em alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado anualmente em 8 de março.
De acordo com o deputado Professor Lemos, a violência contra a mulher no Paraná continua grande, mantendo o estado na terceira posição entre os que detêm maiores índices de agressões e feminicídios. “Precisamos criar mecanismos de proteção. A violência é muito grande contra as mulheres paranaenses. Piraquara é a segunda cidade mais violenta contra a mulher no Brasil. Além de criar leis, é preciso um grande programa organizado entre as esferas do poder público e a sociedade civil no combate a estes crimes”, explicou.
O parlamentar propôs durante o evento a criação de uma frente parlamentar especificamente para o combate à violência contra a mulher. “Queremos, além da aprovação de bons projetos que tramitam na Assembleia sobre este tema, que sejam implementadas as leis que já existem. Precisamos ainda organizar uma frente de deputados paranaenses, assim como acontece no Rio Grande do Sul e em outros estados, que se engajem firmemente nesta luta”, afirmou.
O líder do governo na Alep, deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), compôs a mesa de honra da audiência pública e defendeu a luta das mulheres do campo pelo direito à igualdade e pelo fim da violência doméstica, discriminações e menores salários. “Mulheres da lida com a terra enfrentam maiores dificuldades ainda”, alertou. O parlamentar também destacou os avanços alcançados por políticas públicas iniciadas nos anos 1990, e das expectativas com o que ainda precisa ser alcançado. “Muitos homens ainda não aceitaram esta realidade, mas nosso país teve avanços. O que falta ainda são mulheres nos postos de comando, seja na iniciativa privada, seja na gestão pública, onde ainda existem poucas mulheres ocupando postos chave”, explicou.
Para Camila Mafioletti Daltoe, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos do Ministério Público do Paraná (MP/PR), leis como a Maria da Penha ou a Lei do Feminicídio, já foram avanços importantes, mas muito ainda precisa ser feito pela proteção das mulheres. “Existem desafios ainda maiores para as mulheres do campo. Elas estão distantes dos serviços que as atendem, não têm vizinhos próximos e o conceito de propriedade é baseado no patriarcado e, portanto, se mantém muito forte o machismo no campo”, destacou.
Participaram da mesa de honra ainda o assessor de Assuntos Fundiários do Governo do Estado, Hamilton Serighelli; a professora Liriani Maria Franco, secretária da Mulher Trabalhadora e Direitos LGBTI da APP Sindicato; Kelly Manfort, representante da Coordenação Nacional do MST; Maria Izabel Grein, Simone Aparecida Rezende e Solange Parcianello Pellenz, representando o MST do Paraná; Nívea Maria Diogenes, do Movimento dos Atingidos por Barragens; Mairene se Souza Paim, representando as posseiras de Pinhão; e Isabela Cruz, representando os povos quilombolas.


