Frente aos cortes financeiros do governo federal, Docentes, chefes de setor, coordenadores de cursos, pró-reitores e reitor traçaram uma estratégia que deve passar por articulação política em busca de resolução do impasse. A instituição, segundo a reitoria, pode parar em agosto se não houver forma de reverter o corte de 30% nas verbas de orçamento de custeio da universidade adotado na semana pelo Ministério da Educação (MEC). Definido em reunião da cúpula na sexta-feira, o primeiro passo será a procura de parlamentares paranaenses que possam pressionar o governo.
O primeiro deputado federal a se manifestar foi Gustavo Fruet (PDT), cujo partido moveu na sexta-feira uma Arguição de Descumprimento de Preceitos Fundamentais (ADPF) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra os cortes. O partido do deputado Aliel Machado, o PSB, ambém acionou o STF. Integrante da Comissão de Educação na Câmara, Aliel tomou a frente parlamentar de combate aos cortes. “Cobrarei pessoalmente o ministro durante sua ida a nossa Comissão”, disse Machado. Entre os demais deputados paranaenses que se pronunciaram em redes sociais, são contra os cortes Enio Verri, Zeca Dirceu e Gleisi Hoffmann, ambos do PT. “Eu e o deputado Paulo Pimenta já protocolamos requerimento pedindo informações do Ministério da Educação a respeito desses cortes”, disse a deputada. O deputado Boca Aberta (PROS) também se posicionou contra. “É uma aberração, uma vergonha. Sou totalmente contrário a qualquer tipo de corte na Educação. Nós vamos ‘sentar o pau’ sem dó”, disse o deputado.
Entre os favoráveis ao corte, apenas Filipe Barros (PSL-PR) se posicionou. “Quando Dilma cortou bilhões da Educação, a esquerda ficou quietinha. Agora que Bolsonaro vai remanejar verba das Universidades Federais para a Educação Básica, eles estão ‘revoltados’”, publicou em sua página do Facebook. A Câmara Federal ficou praticamente vazia na semana passada em razão do feriado do Dia do Trabalho, que caiu na quarta-feira, e os demais deputados não se pronunciaram.
Entre os três senadores do Paraná, Oriovisto Guimarães (PODE-PR), fundador de uma das maiores universidades privadas do País, e do cursinho pré-vestibular do Grupo Positivo, se posicionou a favor das universidades públicas. Oriovisto disse ao Bem Paraná por telefone que fará o possível para ajudar o reitor Ricardo Marcelo Fonseca, da UFPR, que busca apoio político contra a medida. “Tenho o maior amor pela Educação. Qualquer corte que seja feito de verba para a universidade, eu sou contra. Quando eu for procurado terei o maior prazer em ajudar o reitor”, disse o senador.
No sábado, o senador Flavio Arns (REDE-PR), que é professor licenciado do setor de Educação da UFPR, afirmou que a decisão do MEC de bloquear 30% das verbas de custeio “deve ser imediatamente revista”. “Temos que ter o discernimento necessário para não deixar que visões ideológicas divergentes contaminem um debate que deve ser do Brasil”. O senador Alvaro Dias (PODE-PR) ainda não se manifestou.


