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Cortes de verbas geram saia-justa entre governo do Paraná e UFPR

Cortes de verbas geram saia-justa entre governo do Paraná e UFPR

O governador Ratinho Junior (PSD) disse nesta terça-feira (7) que o reitor Ricardo Marcelo Fonseca, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), “exagera” ao dizer que o Estado pode ser prejudicado com o corte de 30% na verba de custeio das instituições federais de ensino. Questionado sobre os cortes em evento no Palácio Iguaçu, o governador afirmou que o governo federal deve rever a decisão de um “corte unilateral” sem que as necessidades sejam debatidas.

“Não acredito nisso (que o agronegócio e a indústria seriam prejudicados por sucateamento da UFPR). Há um pouco de exagero (do reitor) para poder, obviamente, a pauta ter um pouco mais de importância, mas é natural. Eu não acredito que o Ministério da Educação vá fazer um corte unilateral. É anunciado e depois, especificamente, vai liberando recursos conforme a necessidade”, pondera o governador.

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O reitor da UFPR tem dito que o reflexo de um corte em educação não é igual ao reflexo de um corte em segurança ou saúde, em que o impacto ocorre no dia seguinte. No caso da educação e da pesquisa, o impacto só vai ser percebido daqui a 10 ou 20 anos. “O grande problema é que depois, para correr e corrigir, iremos levar mais 10 a 20 anos para recuperar o ponto em que estamos. Não é a toa que estamos com altíssimo índice de respeito internacional, além de nacional”, afirma.

De acordo com Fonseca, a universidade é, no Brasil, um lugar único para produção da ciência, tecnologia e inovação. “No Brasil, 95% da produção de ciência, tecnologia e inovação vem das universidades públicas. Sem elas não temos nem soberania, nem formação de qualidade, não temos ponte para o futuro e nem desenvolvimento econômico. Vejo que isso (desenvolvimento econômico) tem sido dito (pelo governo) como prioridade, mas a indústria e o agronegócio não avançam sem tecnologia. O País não vai avançar sem as universidades públicas. Em outros países o conhecimento até pode estar fora das universidades publicas, na privadas, nas empresas, mas não há opinião que possa mudar essa realidade (de 95% partir das públicas no Brasil)”, desabafa o reitor.

 

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Ratinho Jr nega cortes em universidades estaduais

Ao comentar os cortes federais, o governador Ratinho Jr afirmou que não há previsão de bloqueios em universidades estaduais do Paraná. O governo, segundo Ratinho Jr, tem discutido com os reitores uma nova forma de gerir os recursos de forma transparente. “Não (não haverá cortes). Nós estamos conversando com os reitores para criar uma nova metodologia de gestão. Primeiro é dar transparência. As universidades usam dinheiro público e as pessoas precisam saber onde será investido esse dinheiro. Hoje não existe de forma clara essa transparência”, disse.

Sobre sua opinião relacionada aos cortes federais em si, Ratinho Jr evitou entrar em um embate com o governo Jair Bolsonaro. “É uma questão federal. Não tenho os números para dizer se é uma decisão correta ou não. Eu acho que pode ser rediscutida a maneira de se fazer gestão das universidades. Não só a Federal, como as nossas também. O Paraná investe R$ 2,5 bilhões. Isso quer dizer que tem que cortar? Talvez não. Agora, tem casos que talvez sim. É uma questão caso a caso. Acho que o Paraná tem um bom investimento em universidades públicas e nós queremos melhorar cada vez mais a gestão. Estamos fazendo isso conversando com os reitores”, esquivou.

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