A Assembleia Legislativa do Paraná realizou, nesta quarta-feira (13), uma audiência pública em homenagem aos 30 anos do Movimento Negro Unificado do Paraná (MNU/PR). O encontro reuniu lideranças sociais, representantes de instituições públicas e movimentos populares para discutir o combate ao racismo estrutural e o fortalecimento das políticas de igualdade racial no Estado.
A iniciativa foi proposta pelo deputado estadual Renato Freitas, presidente da Comissão de Igualdade Racial da Assembleia. Durante o evento, o parlamentar relembrou que o movimento surgiu em Curitiba após o assassinato de Carlos Adilson Siqueira, vítima de violência racial praticada por skinheads há três décadas.
A audiência também marcou o 13 de maio, data que simboliza o Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. Lideranças presentes defenderam a ressignificação da data, argumentando que a abolição da escravidão não garantiu inclusão social e igualdade de oportunidades para a população negra brasileira.
A deputada federal Carol Dartora destacou a importância histórica do MNU na luta antirracista. Segundo ela, o debate vai além da denúncia das desigualdades e busca construir caminhos para garantir justiça social e qualidade de vida para a população negra.
Representantes religiosos, movimentos culturais, coletivos sociais e instituições públicas também participaram das discussões. Entre os temas debatidos estiveram violência racial, discriminação, políticas públicas, valorização da cultura afro-brasileira e proteção das comunidades tradicionais.
A militante Almira Maria Maciel ressaltou que o Movimento Negro Unificado teve papel decisivo na construção do debate sobre o Dia da Consciência Negra e na mudança da percepção histórica sobre o 13 de maio. Para ela, a luta do movimento permanece necessária diante das desigualdades ainda enfrentadas pela população negra no Brasil.
Durante o encontro, também foram destacadas legislações paranaenses voltadas ao combate ao racismo, como a Lei da Consciência Negra, o fortalecimento do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial e a chamada “Lei Vini Jr.”, aprovada em 2024, que obriga eventos com grande público a divulgarem mensagens de combate à injúria racial.
Fundado nacionalmente em 1978, o Movimento Negro Unificado é reconhecido como uma das principais organizações antirracistas da América Latina, tendo atuação histórica na defesa dos direitos da população negra e na construção de políticas públicas de igualdade racial no Brasil.


