No silêncio dos corredores hospitalares, entre plantões exaustivos, incubadoras e atendimentos de alta complexidade, uma história chama atenção no Hospital Regional do Norte Pioneiro, em Santo Antônio da Platina. Mais do que colegas de profissão, mãe e filhos compartilham diariamente a missão de cuidar da vida — uma trajetória construída com esforço, superação e inspiração familiar.
Neste Dia das Mães, celebrado neste domingo (10), a história de Odeli Aparecida de Oliveira, de 62 anos, ganha destaque por ultrapassar os laços de sangue e se tornar exemplo de dedicação dentro da saúde pública paranaense.
Técnica de enfermagem desde 1993, Odeli construiu sua trajetória profissional conciliando jornadas intensas de trabalho e a criação dos filhos como mãe solo. Foram décadas atuando em diferentes setores da saúde, passando por UTI móvel, pronto-socorro, maternidade e berçário, sempre carregando consigo o compromisso de cuidar do próximo.
Hoje, ela integra a equipe da Unidade de Cuidados Intermediários Convencionais Neonatal (UCINCo) do hospital, setor diretamente ligado à UTI Neonatal. Mas o que torna sua história ainda mais especial é o fato de ter inspirado os dois filhos a seguirem exatamente o mesmo caminho.
O enfermeiro Renato de Oliveira Nagano, de 40 anos, atua na UTI Neonatal desde 2013 e dedica sua carreira exclusivamente ao atendimento de recém-nascidos. Formado em 2011, ele chegou a se afastar temporariamente da profissão para investir em projetos pessoais, mas retornou à linha de frente da saúde em 2021, durante a pandemia da Covid-19.
Segundo Renato, a escolha pela enfermagem nasceu dentro de casa, observando diariamente o esforço da mãe para sustentar a família e, ao mesmo tempo, manter a dedicação aos pacientes.
“Ela sempre foi minha maior inspiração e motivação para seguir na enfermagem. Foi por meio dessa profissão que conseguiu me criar, sendo mãe solo e conciliando diferentes funções ao longo da vida”, relatou.
Embora ambos já tivessem anos de experiência na área da saúde, mãe e filho passaram a atuar juntos na mesma instituição apenas em 2021. Desde então, compartilham a rotina intensa do ambiente hospitalar, dividindo desafios, emoções e a responsabilidade de lidar diariamente com vidas que dependem de cuidados especializados.
A história da família na enfermagem não parou por aí.
A filha caçula, Renata de Oliveira, de 37 anos, também decidiu seguir os passos da mãe. Técnica de enfermagem desde 2015, ela já atuou em diversos setores de alta complexidade, incluindo UTI, pronto-socorro, clínica médica, clínica cirúrgica e farmácia hospitalar. Há cerca de um mês, passou a integrar a equipe terceirizada do HRNP, trabalhando na UTI adulto.
Para Renata, crescer acompanhando a rotina da mãe despertou não apenas admiração, mas também a vontade de transformar o cuidado em profissão.
“Minha mãe foi quem despertou em mim o amor por cuidar das pessoas. Cresci vendo sua dedicação, força e carinho com cada paciente, e isso me inspirou profundamente a seguir o mesmo caminho”, afirmou.
Emocionada, Odeli afirma que ver os filhos atuando na mesma profissão representa a continuidade de tudo aquilo que construiu ao longo da vida.
“Com uma vida inteira dedicada à enfermagem, fico muito orgulhosa dos meus filhos seguirem meus passos, que é cuidar do próximo e ser uma pessoa melhor”, destacou.
O secretário estadual da Saúde, César Neves, ressaltou que histórias como essa representam a essência do Sistema Único de Saúde (SUS) e reforçam o lado humano da profissão.
“Neste Dia das Mães, celebramos uma conexão que ultrapassa os laços de sangue e se fortalece no ambiente hospitalar. Ver mães e filhos compartilhando a mesma vocação na enfermagem é o maior testemunho do cuidado com o outro”, afirmou.
Entre plantões, emergências e momentos delicados enfrentados diariamente dentro do hospital, a família encontrou na enfermagem muito mais do que uma profissão. Encontrou uma herança construída com amor, sacrifício e propósito — um legado que hoje salva vidas em diferentes alas da mesma instituição.



