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Javalis aterrorizam produtores e trazem perigo para as rodovias do Norte Pioneiro

Animais não têm predadores naturais e se proliferam com facilidade, fazendo com que número venha aumentando consideravelmente na região

Redação - Folha Extra

NORTE PIONEIRO - Nos últimos anos, a presença dos Sus Scrofa, mais conhecidos como Javalis, tem se tornado um problema na região do Norte Pioneiro. Os animais, que são nativos de outras regiões do planeta e não tem predadores naturais no Brasil, tem se proliferado com facilidade e causado prejuízos para os produtores rurais, riscos para moradores da zona rural e acidentes em rodovias da região.

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Para entender melhor a situação dos Javalis na região, a Folha conversou com a bióloga Tatielly Nakamura e com a chefe da Divisão de Estratégias para Conservação do Instituto Água e Terra, Amanda Beltramin, que falaram sobre a população destes animais no Norte Pioneiro, seus riscos para saúde pública e produção agropecuária, além de dar dicas de como agir caso se deparar com estes animais.

Em relação a presença destes animais na região do Norte Pioneiro, Tatielly explica que há registros confirmados não apenas por moradores, mas também pelo próprio Ibama. “Informações e estudos técnicos realizados pelo Ibama junto a órgãos locais confirmam que há um número significativo de javalis na região. No entanto, ainda é difícil estimar o tamanho populacional exatos destes animais e em quais municípios há maior concentração”, explicou.

O aumento do número de javalis na região está ligado combinação de alguns fatores, conforme explica Amanda Beltramin. “São animais nativos da Europa, Ásia e norte da África, sendo considerados uma espécie invasora no Brasil. Como não são animais naturais do nosso ecossistema, não tem predadores naturais, o que favorece sua proliferação. No Paraná, apenas as onças pintada e parda podem predar os filhotes destes animais, mas não o suficiente para promover o controle da espécie”, pontuou.

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Ainda conforme explica Amanda, outro fator que colabora para o aumento destes animais são a capacidade reprodutiva e as condições que eles encontram para viver na região. “Os javalis apresentam alta capacidade reprodutiva e, além disso, tem uma dieta a base de vários recursos. Devido a se tratar de uma região ligada a agricultura, eles encontram grande disponibilidade de alimentos e áreas de mata que proporcionam um ambiente propício para o crescimento da espécie”, destacou.

Amanda e Tatielly também explicam de que maneiras estes animais podem afetar a vida da população, principalmente no caso dos produtores rurais. “Estes animais costumam viver em bando e apresentam comportamento agressivo, situação que pode trazer riscos de ataques a pessoas e animais domésticos, principalmente cachorros. Além disso, também podem causar acidentes em rodovias e representam risco sanitário pela possível transmissão de doenças. Na área da agricultura, podem causar impactos relevantes, pois consomem lavouras para se alimentar”, comentam.

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Na criação de animais, podem transmitir doenças como brucelose, leptospirose e a peste suína, além de atuar como reservatórios de patógenos que afetam a produção pecuária e suninocultura. Esses fatores, além de causar prejuízos no campo, também fazem com que o consumo da carne dos javalis não seja indicado.

As profissionais também deram dicas sobre como moradores da zona rural e produtores devem proceder diante a presença destes animais em suas propriedades. “Ao se deparar com estes animais, o ideal é não os enfrentar, pois são indivíduos que podem chegar aos 250 kg, se mantém em grupo e tem comportamento agressivo. O ideal é manter distância e procurar um local seguro para se abrigar. Outra dica é sempre evitar correr deles em área aberta ou se aproximar de filhotes”, explicou.

Em relação aos produtores, a dica é agir em parceria com a comunidade. “O ideal é que os produtores adotem ações integradas com apoio da comunidade e de vizinhos, pois o controle isolado tende a não ter efetividade. São animais que costumam viver e povoar grandes áreas. Em caso de criação de animais, principalmente suínos, o ideal é que haja cercas de proteção para evitar a transmissão de doenças”, comentou.

Sobre a caça dos javalis, Amanda explicou qual a forma correta de realizar o abate. “O controle através do abate deve ser feito por controladores devidamente cadastrados no Ibama e em conformidade com a legislação. Também é importante diferenciar os javalis da queixada e do cateto, animais silvestres que são protegidos por lei e não podem ser abatidos. Também é proibido o uso de armadilhas que coloquem em risco outros animais nativos”, pontuou.

No Paraná, o IAT vem realizando ações relacionadas ao manejo dos javalis buscando promover o controle da espécie. Além do trabalho realizado em parceria com Unidades de Conservação Estadual, também há apoio dos caçadores voluntários devidamente cadastrados no Ibama que ajudam a promover o controle da proliferação destes animais.

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