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Entre a Luz e o Silêncio: Sobre Encontrar Quem Nos Expande

Léia e a força da arte que nasce do cotidiano

Por Flávio Mello

Secretário Municipal de Cultura
@flaviomelloescritor

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É tão bom quando, no caminhar de nossas vidas, encontramos pessoas que nos fazem sorrir. Pessoas que nos agregam sem saber... de forma pura, gratuita, quase como um gesto invisível do destino.

Passei grande parte da minha vida envolto à arte. Admirando nomes consagrados, aqueles que atravessaram o tempo e se tornaram universais. Cresci olhando para longe, como quem busca constelações. E talvez por isso nunca tenha imaginado que um dia caminharia lado a lado com pessoas que, tenho certeza, ainda serão vistas como extraordinárias.

Mas há uma ironia quase cruel nisso tudo: muitas vezes, essas pessoas não são reconhecidas no seu próprio tempo.

Talvez essa seja a sina da arte (...), não ser plenamente vista pelos contemporâneos. Vivemos em uma sociedade que, não raro, trata a arte como algo supérfluo, descartável. E é aí que mora uma das formas mais profundas de ignorância: na incapacidade de perceber o que nos salva. A pandemia que atravessamos escancarou isso, quando o mundo silenciou, foi a arte que continuou falando, sustentando, curando.

Tenho a honra de conviver com pessoas extraordinárias. Em diferentes linguagens, em diferentes formas de expressão. Mas existem aquelas raras, raríssimas, que transitam entre tudo isso com naturalidade, com verdade, sem afetação, sem vaidade. Pessoas que não fazem da arte um discurso, mas um modo de existir.

É o caso de Léia.

Léia Carvalho de Souza Fernanda. Nascida em Abatiá, em 30 de agosto de 1960, e hoje moradora de Santana do Itararé. Mas sua história não cabe em dados... ela pulsa em trajetórias, em tentativas, em coragem.

Seu primeiro encontro com a arte veio ainda na infância, pelos sons. Pelos discos dos irmãos mais velhos. Enquanto muitos ainda aprendiam a falar, ela já queria cantar (e cantar em inglês). Cresceu entre referências como Beatles, Rolling Stones, Johnny Rivers, Elvis Presley, Raul Seixas, Roberto Carlos e Rita Lee. Esta última, sua grande ídola. E há algo de simbólico nisso: Rita, que também rompeu padrões, que também foi chamada de estranha antes de ser reconhecida como genial.

Mas Léia não parou na música.

Em 2005, como voluntária na APAE de Santana do Itararé, deu início a uma jornada que atravessaria o teatro, o artesanato, a educação e a cultura popular. Foi ali que nasceu o esboço do “Boi Mamão”, recriado a partir de uma referência distante, mas profundamente adaptado à sua realidade.

E como toda arte que ousa existir, vieram os julgamentos. Foi chamada de louca. De herege. Mas seguiu.

Levou o projeto ao Colégio Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, envolvendo 52 alunos em uma experiência coletiva que culminou em apresentações no Festival FERA, em Arapoti, além de desfiles e apresentações em cidades vizinhas. Um movimento que não era apenas artístico... era formativo, humano, transformador.

Em 2025, Léia criou mais uma obra: “Sucuri do Itararé” — uma fusão de musical e dança, com a participação da Orquestra de Viola Siqueirense. Um trabalho que reafirma sua capacidade de reinventar o território, de transformar cultura em presença viva.

Hoje, segue com oficinas de arte, formando novos olhares, incentivando novas vozes. Já há textos sendo encenados, peças sendo recriadas, sonhos sendo colocados de pé.

E quando não há tela, ela pinta no papelão.

Talvez essa seja uma das imagens mais bonitas que podemos guardar: alguém que não espera o suporte ideal para criar, mas cria com o que tem. Porque a arte, quando é verdadeira, não depende de condições perfeitas. Ela brota.

Léia costuma dizer que não é uma artista. Diz que é apenas uma sonhadora, mas talvez seja justamente isso que a torne artista em sua forma mais pura. Ela não busca a cópia perfeita. Não se interessa pelo já feito. Sua arte nasce da recriação, da vivência, daquilo que é nosso... imperfeito, mas verdadeiro.

E talvez, no fim, seja isso que realmente importe.

Porque, em um mundo que insiste em apagar o sensível, encontrar pessoas como Léia é como acender uma luz. E algumas luzes não foram feitas para serem vistas imediatamente. Foram feitas para permanecer.

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