DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
SANTANA DO ITARARÉ - O caso de extrema violência que chocou moradores de Santana do Itararé, no Norte Pioneiro, ganhou novos e importantes desdobramentos nesta quarta-feira (16). A Polícia Civil confirmou à Folha que instaurou inquérito para apurar o espancamento coletivo da mulher de 53 anos em plena praça pública. O caso está sendo investigado como lesão corporal e cárcere privado.
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De acordo com informações apuradas com exclusividade pela reportagem, a vítima prestou depoimento formal à PC nesta quarta-feira, reforçando os detalhes sobre a sequência de agressões sofridas em rua pública e também os episódios posteriores em que teria sido levada à força para outro local, informações que já haviam sido expostas no boletim de ocorrência e enviadas à Folha na última sexta-feira (10). O delegado geral da PC no Norte Pioneiro, Amir Salmen, já havia confirmado a determinação de abertura das investigações.
Segundo as novas apurações, um outro ponto decisivo para o avanço do caso é a intimação das suspeitas, que devem se apresentar na próxima quarta-feira (22) para prestar depoimento e esclarecer os fatos denunciados pela vítima. Neste meio tempo, polícia vai continuar reunindo imagens de câmeras de segurança próximas ao local onde os fatos teriam acontecido, incluindo também vídeos gravados por moradores que assistiram ao episódio.
A análise das imagens é vista como fundamental para esclarecer a dinâmica da violência, identificar a participação individual de cada envolvida e confirmar o momento em que a vítima teria sido colocada à força dentro de um veículo, situação que levou a corporação a incluir a hipótese de cárcere privado no inquérito.
Além do avanço das investigações, o caso também teve desdobramento judicial. Diante da gravidade dos fatos relatados, a Justiça determinou uma medida protetiva em favor da vítima, buscando preservar sua integridade física e impedir qualquer novo contato ou ameaça por parte das investigadas enquanto o caso segue sob apuração.
Os próximos dias podem ser decisivos para a consolidação das provas, principalmente após a reunião das imagens de monitoramento, oitiva das suspeitas e confrontação dos depoimentos já colhidos pela Polícia Civil. Com o avanço, será possível identificar se a mulher identificada entre as agressoras e como uma conselheira tutelar do município teve participação.
Romance de segredos se transformou em espancamento coletivo na praça
O episódio veio à tona após a família da vítima denunciar que a mulher foi perseguida, espancada e humilhada publicamente no centro do município. Conforme o relato, a motivação estaria ligada à descoberta de um relacionamento mantido pela vítima com um homem que se apresentava como separado, mas agiu de forma enganosa e ainda matinha relacionamento com a companheira.
As agressões começaram na noite da última quarta-feira (08). A vítima caminhava nas proximidades do lago municipal quando percebeu que estava sendo seguida por duas jovens, identificadas pela família como filhas do homem com quem ela se relacionava. Instantes depois, foi abordada e violentamente atacada com socos, chutes e puxões ainda em via pública.
Sob agressões constantes, a vítima foi obrigada a seguir até a praça central da cidade, onde a violência se intensificou diante de testemunhas. Segundo a denúncia, ela foi derrubada no chão, teve a cabeça batida contra o chão e as roupas rasgadas durante a sequência de ataques, ficando parcialmente nua. Parte da ação foi filmada por moradores, imagens que também devem integrar o inquérito.
Em seguida, conforme a denúncia apresentada pela família, uma terceira mulher chegou ao local em um Volkswagen Gol preto. A vítima teria sido colocada à força no carro e levada até outra residência, onde as agressões continuaram. Esta mulher é apontada como conselheira tutelar do município pela família da vítima.
A violência só teria cessado após a intervenção de familiares, que conseguiram interromper os ataques. Mesmo assim, ao deixar o imóvel, a mulher afirma ter sido alcançada novamente em uma esquina próxima, onde voltou a ser agredida e agarrada pelo pescoço, sendo socorrida apenas após a ajuda de outra moradora.
Com os novos elementos reunidos pela Polícia Civil e a tipificação do caso também como cárcere privado, a investigação entra agora em uma fase decisiva, que poderá esclarecer a extensão da participação de cada suspeita e embasar eventual responsabilização criminal.