DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
“Ué, mas não falaram que 2026 seria o ano mais quente?” Este é o debate que tem tomado conta das redes sociais desde o fim de março, quando foi anunciada a chegada da primeira onda de frio mais intensa no Brasil. Com previsões apontando que este pode ser o ano mais quente do século, o assunto passou a gerar uma enxurrada de comentários e dúvidas online. A resposta, porém, é simples: uma coisa não tem nada a ver com a outra.
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A frente fria que começa a avançar sobre o Sul do Brasil nesta segunda quinzena de abril está ligada a um fenômeno meteorológico de curto prazo, provocado pela entrada de massas de ar frio típicas do outono. O próprio Simepar já havia alertado no fim de março que abril teria temperaturas acima da média no Paraná, mas com entrada de massas de ar frio principalmente na segunda metade do mês.
No Paraná, isso significa mudança no padrão das manhãs, noites mais frias, vento gelado e possibilidade de queda mais acentuada nas mínimas, especialmente nas regiões mais altas e também em áreas do Norte Pioneiro, onde a sensação térmica costuma ser ampliada pela umidade e pelos ventos.
Frio agora, calor depois
O ponto que gerou confusão entre muitos leitores está em outra previsão, muito mais ampla e de longo prazo. Modelos climáticos internacionais apontam a possibilidade de formação de um Super El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027, com potencial para ser um dos mais intensos dos últimos 140 anos. Esse cenário pode favorecer ondas de calor mais severas, novos recordes de temperatura e extremos climáticos no Brasil e em outras partes do planeta.
Ou seja: enquanto o frio desta semana fala sobre os próximos dias, a projeção de calor extremo está relacionada ao comportamento do oceano Pacífico ao longo dos próximos meses, com efeitos mais significativos na reta final do ano.
Na prática, são duas escalas completamente diferentes: uma é previsão do tempo; a outra é tendência climática.
Por que uma previsão não anula a outra
É justamente aí que nasce a confusão nas redes. Muita gente interpreta a previsão de calor extremo no fim de 2026 como se abril e maio deixassem de ter frente fria, quando na verdade os dois cenários podem acontecer normalmente.
Mesmo em anos com tendência de aquecimento global ou fortalecimento do El Niño, o outono segue favorecendo incursões de ar polar e mudanças bruscas no tempo no Sul do país. Isso significa que o Paraná pode registrar amanhecer gelado nas próximas semanas e, meses depois, enfrentar um período de calor acima da média.
Esse contraste, inclusive, é cada vez mais comum. Eventos de El Niño costumam aquecer o planeta em escala global, mas isso não impede episódios regionais de frio no curto prazo, especialmente durante a transição do outono para o inverno.
Clima já começou a mudar
A primeira onda de frio mais intensa está prevista para avançar na segunda quinzena de abril, a partir desta quarta-feira (15), quando as temperaturas devem começar a cair de forma mais evidente em várias regiões do país. No Norte Pioneiro do Paraná, essa mudança no padrão do tempo já começou a ser percebida pelos moradores, com manhãs mais frias, noites geladas e um ar mais frio que já altera a rotina nas cidades da região.
Ao longo do dia, os termômetros ainda apresentam variação típica do outono: o amanhecer começa com temperaturas mais baixas, as máximas sobem gradualmente durante a tarde e, com a chegada da noite, o frio volta a ganhar força. Esse contraste entre manhãs frias e tardes mais amenas já tem marcado o cotidiano nos municípios.
Apesar dos sinais claros de mudança no clima, a região ainda não registrou, até esta publicação, nenhuma condição considerada extrema, como quedas bruscas mais severas nos termômetros ou formação de geadas. A expectativa, porém, é de que o frio ganhe intensidade nos próximos dias, conforme a frente fria avance pelo Sul do Brasil.