Redação - Folha Extra
NORTE PIONEIRO - Produtores da região do Norte Pioneiro irão participar de um projeto inédito de agricultura regenerativa desenvolvido pelo Governo do Estado do Paraná, que integra biotecnologia e manejo sustentável do solo. A iniciativa, chamada Solo Vivo Paraná, é coordenada pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e representa o primeiro rastreamento microbiológico do solo em escala estadual no Brasil.
O projeto tem como objetivo construir um Mapa Genético dos Solos Paranaenses a partir de análises baseadas em metagenômica, tecnologia que permite estudar o DNA, a composição mineral e a biodiversidade presente no solo. O método identifica microrganismos como fungos, bactérias e vírus, além de avaliar sua atuação e relação com a fertilidade e produtividade agrícola.
Na prática, a análise funciona como uma espécie de “raio-X” da saúde do solo, permitindo a identificação de organismos benéficos ou patogênicos e a compreensão dos ciclos de nutrientes. Diferente das análises laboratoriais convencionais, que se concentram em aspectos químicos e físicos, a metagenômica realiza o sequenciamento genético diretamente das amostras coletadas.
Na região do Norte Pioneiro, o projeto irá beneficiar pequenos e médios produtores ligados a áreas certificadas de produção de café e goiaba, além de atividades da sericicultura. As informações geradas deverão contribuir para o aprimoramento das práticas agrícolas e para o aumento da eficiência produtiva com base em dados científicos.
O projeto é conduzido pelo Instituto de Tecnologia do Paraná, que destaca o uso da biotecnologia como ferramenta para inovação no campo. Segundo o órgão, a iniciativa integra o estado à agenda global de bioeconomia e inovação verde, ampliando o acesso a tecnologias avançadas aplicadas ao agronegócio.
De acordo com representantes do Tecpar, a implementação de protocolos de diagnóstico genético do solo permitirá identificar condições biológicas que influenciam diretamente a produtividade agrícola. Os dados obtidos poderão ser utilizados para orientar estratégias de manejo, subsidiar políticas públicas e apoiar ações de mitigação climática no setor rural.
A proposta também prevê a transferência de conhecimento técnico para instituições públicas e produtores, ampliando a capacidade de análise e gestão do solo a partir de evidências científicas e do uso de ferramentas de sequenciamento genético em larga escala.


