DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
SANTANA DO ITARARÉ - O que começou como um relacionamento cercado de segredos terminou em uma noite de violência em Santana do Itararé. Uma mulher de 53 anos foi perseguida por ruas da cidade, espancada em praça pública, colocada à força dentro de um carro e levada para uma residência, onde, segundo a denúncia, a sequência de ataques continuou. O boletim de ocorrência ainda cita a participação de uma mulher, que é apontada pela família como conselheira tutelar entre as supostas agressoras.
Com exclusividade, a Folha apurou que a violência teria sido motivada pela descoberta de um relacionamento amoroso mantido pela vítima com um homem que se apresentava como separado. O que parecia ser um envolvimento discreto acabou se transformando, segundo a família, em uma sequência de perseguição, agressões em via pública e novos ataques dentro de uma residência.
Do romance à noite de violência
O caso foi relatado oficialmente à reportagem por uma parente da vítima. Durante a conversa, a denunciante contou que a vítima, identificada como I. F., manteve o relacionamento por cerca de um mês com J. C. Neste período, o homem teria afirmado à mulher que estava solteiro e separado da ex-companheira, identificada pelas iniciais T., embora ambos ainda dividissem a mesma casa. A reportagem, neste momento de apuração prefere preservar os nomes dos envolvidos.
No entanto, a história tomou outras proporções quando as filhas de T. e J. C., uma maior e outra menor de idade, identificadas como M. e C., descobriram o relacionamento entre os dois.
Por volta das 22h da última quarta-feira (08), o caso ganhou contornos ainda mais graves. Segundo a denúncia, I. foi brutalmente atacada por três mulheres, entre elas uma mulher identificada pela família como conselheira tutelar do município.
Perseguição, agressões e vítima levada à força
Na noite da última quarta-feira, I. caminhava nas proximidades do Lago de Santana do Itararé quando percebeu que as duas filhas de T. passaram a segui-la. Pouco depois, segundo o relato, elas a abordaram e iniciaram as agressões com socos e chutes.
Ainda de acordo com L., a vítima foi obrigada a seguir até a praça da cidade sob agressões constantes. Durante todo o trajeto, as filhas de J. C. continuaram atacando a mulher. Já na praça, conforme a denúncia, a violência se intensificou e a brutalidade do ataque teria sido ainda maior.
Diante de moradores que presenciaram a cena, I. foi derrubada no chão e, segundo a denúncia, teve a cabeça batida contra o piso durante a sequência de violência. As agressoras ainda rasgaram as roupas da vítima em plena via pública e continuaram os ataques. Moradores filmaram parte das agressões. Assista o vídeo no Instagram da Folha.
Como se não bastasse a violência em local público, uma terceira mulher, identificada pela inicial A., chegou em um Volkswagen Gol preto, e a vítima foi colocada à força dentro do veículo. Na sequência, ela foi levada até a residência de T., onde, conforme a denúncia, voltou a sofrer novas agressões.
A violência só teria cessado após a intervenção do pai de A. e de um filho de T., que pediram para que os ataques parassem.
Mesmo após conseguir deixar a residência, I. ainda teria sido alcançada novamente pelas mulheres em uma esquina próxima. Segundo o relato, a vítima foi agarrada pelo pescoço e voltou a sofrer agressões, sendo socorrida apenas após a chegada de outra mulher, que interveio e a levou para casa.
Possível envolvimento de conselheira tutelar aumenta gravidade
A gravidade do caso ganhou ainda mais repercussão após a família apontar que uma das mulheres envolvidas nas agressões seria uma conselheira tutelar de Santana do Itararé.
Até a publicação desta reportagem, a informação ainda não havia sido oficialmente confirmada. A denunciante afirmou à Folha possuir provas da participação de A., mas disse que o material está sendo mantido sob sigilo até a audiência.
O caso foi registrado junto à Polícia Militar e encaminhado à Polícia Civil da comarca de Wenceslau Braz, que deve aprofundar as investigações para esclarecer a participação de cada uma das envolvidas. A Folha teve acesso ao boletim de ocorrência.

