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De Arapoti para o mundo: a história do Inpacel, time que alcançou o topo do futsal mundial

Vitória histórica sobre o Corinthians, montagem de um time com base da Seleção e conquistas mundiais marcaram a trajetória fenomenal da equipe

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

ARAPOTI - Muito antes de se consolidar como referência esportiva nos Campos Gerais, Arapoti foi protagonista de uma das trajetórias mais emblemáticas do futsal brasileiro. Nos anos 90, a Inpacel (Indústria de Papel de Arapoti S/A) decidiu ir além do ambiente industrial e apostou nas quadras como estratégia para projetar o nome da cidade em nível nacional e internacional. O que, à primeira vista, parecia uma iniciativa ousada — e até improvável — transformou-se em um projeto esportivo vencedor, que se tornou uma referência mundial.

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Com investimentos, planejamento e contratações de destaque, a equipe construiu uma trajetória marcada por resultados expressivos e títulos importantes. Mais do que vitórias, a Inpacel criou uma identidade esportiva e mobilizou uma geração inteira de torcedores. O que começou como uma aposta virou um capítulo histórico no futsal paranaense, brasileiro e mundial.

Ganhamos praticamente tudo

Mas toda história tem um ponto de partida — e a da Inpacel começou de forma simples, longe dos grandes holofotes. Segundo Carlos Alberto Albuquerque, conhecido como Carlinhos, ex-jogador e posteriormente diretor da equipe, os primeiros passos foram dados em competições regionais no Norte Pioneiro.

“Lembro até hoje. A equipe começou competindo contra times da região. Eles estavam se destacando e o Marcos Antônio Dorigon, que era superintendente da fábrica e responsável pelo projeto, prometeu que, se o time fosse campeão, traria um grande clube para jogar amistosos”, contou.

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A promessa foi cumprida. Após conquistar o torneio regional, a Inpacel acertou dois amistosos históricos contra o Corinthians, então um dos gigantes do futsal nacional. As partidas aconteceram em Wenceslau Braz e Jaguariaíva e mudaram completamente o rumo do projeto esportivo.

Antes dos confrontos, porém, o clima era de preocupação. Uma derrota por 16 a 1 para uma equipe de Ponta Grossa acendeu o alerta. “Ele me disse que, se para Ponta Grossa tinha sido assim, contra o Corinthians poderia ser pior. Eu perguntei qual era a ideia dele e ele respondeu: ‘quero perder de pouco’”, relembra Carlinhos.

Convidado a reforçar o elenco, ele ajudou a montar uma equipe competitiva. O resultado foi surpreendente. Em uma noite histórica, a Inpacel venceu o Corinthians por 4 a 3 em Wenceslau Braz, com gol decisivo marcado a poucos segundos do fim.

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“Não tinha como chegar no ginásio. Era gente de toda parte. O Corinthians era um fenômeno. Fiz o gol da vitória faltando 13 segundos. Foi monumental”, recorda.

No dia seguinte, o empate em 3 a 3 em Jaguariaíva consolidou a confiança no projeto. A partir dali a equipe passou a investir pesado em estrutura e contratações. O crescimento foi rápido e levou o time ao protagonismo estadual e nacional.

Nos anos seguintes, nomes que marcaram época no futsal passaram a vestir a camisa da Inpacel. Entre eles estavam o goleiro Serginho, considerado um dos melhores da história da modalidade; o craque Manoel Tobias, eleito várias vezes o melhor jogador do mundo; o habilidoso Fininho; o capitão da Seleção Brasileira Danilo Lacerda; além do pivô Ortiz, referência mundial na posição e pai do zagueiro Léo Ortiz, hoje no futebol de campo.

Equipe da Inpacel no Chapelão, em 1994. Foto: Reprodução/BlogSpot

 

Outros atletas importantes também fizeram parte do elenco em diferentes momentos, contribuindo para consolidar a equipe como uma verdadeira seleção dentro das quadras.

A Inpacel passou a dominar o futsal brasileiro. Foram conquistas consecutivas do Campeonato Paranaense, títulos nacionais e, em 1994, o ponto máximo: o Mundial de Clubes, disputado em Barcelona, contra a equipe do Barcelona.

“A Inpacel foi o melhor time do Brasil naquele período. Ganhamos praticamente tudo. Arapoti viveu algo único. A cidade virou, por alguns anos, a capital mundial do futsal”, afirma Carlos.

Mesmo com o fim das atividades em 1995, o legado permaneceu. A equipe não apenas levantou troféus, mas colocou uma cidade do interior no mapa do esporte internacional e provou que visão, investimento e paixão podem transformar realidades.

Décadas depois, a história da Inpacel segue viva na memória dos torcedores e no imaginário do futsal brasileiro. Um projeto que começou como aposta regional se transformou em um fenômeno esportivo — e escreveu, definitivamente, o nome de Arapoti na história mundial do futsal.

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