DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
CARLÓPOLIS - A decisão da Prefeitura de Carlópolis de encerrar a participação no Programa Mais Médicos, do Governo Federal, segue provocando repercussão e mobilização popular no município. O prefeito Nilton Meira (PSD) justificou a medida alegando prejuízos financeiros aos cofres públicos e dificuldades operacionais no atendimento. No entanto, informações apuradas com exclusividade pela Folha apontam inconsistências nas declarações do chefe do Executivo — principalmente no que se refere aos custos atribuídos ao município.
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O caso ganhou força no mês passado e motivou manifestações de moradores. A situação foi formalmente denunciada ao Ministério Público do Paraná (MPPR), sob alegação de “perseguição política” contra profissionais vinculados ao programa. Em suas declarações públicas, o prefeito sustenta que a decisão foi tomada “pensando no bem da população”.
Reunião interna veio a público após gravação
O vereador Bruno Ribeiro Alves (PP) repassou à reportagem detalhes de uma reunião entre o prefeito, representantes do Executivo e médicos do programa. Segundo o parlamentar, até aquele momento não havia qualquer documento oficial publicado sobre o encerramento da adesão.
Durante o encontro — que foi gravado por um dos participantes — o prefeito comunicou a decisão com os mesmos argumentos posteriormente divulgados em suas redes sociais. O áudio foi encaminhado à Folha. De acordo com Bruno, os próprios envolvidos pediram apoio para tornar o caso público.
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Após a repercussão, o prefeito publicou um vídeo nas redes sociais com o título: “Estão dizendo o contrário nas redes sociais. Mas essa é a verdade sobre o Programa Mais Médicos em Carlópolis”, no qual reiterou suas justificativas.
Alegação de prejuízo financeiro é contestada
Entre os principais argumentos apresentados por Nilton Meira está o suposto impacto financeiro de R$ 17,5 mil por médico aos cofres municipais. Segundo ele, o município repassa R$ 3,5 mil diretamente a cada profissional e o Ministério da Saúde descontaria outros R$ 14 mil do Fundo de Atenção Primária, totalizando o valor citado.
“Cada profissional do Mais Médicos gera um custo de R$ 17,5 mil para o município”, afirmou o prefeito.
A apuração da Folha, no entanto, indica que a estrutura de custeio não funciona dessa forma.
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Conforme explicou o vereador Bruno Ribeiro Alves, os R$ 3,5 mil pagos pelo município correspondem à contrapartida prevista nas diretrizes do programa, destinada a despesas como moradia e alimentação dos médicos. Já os R$ 14 mil são recursos federais vinculados exclusivamente ao programa.
A Superintendência do Ministério da Saúde no Paraná confirmou à reportagem que esse valor não representa custo direto ao município. Ainda segundo o órgão, trata-se de recurso específico do programa e que não poderia ser redirecionado para outras finalidades locais caso a cidade deixasse de participar. Em outras palavras, sem a adesão ao Mais Médicos, o valor simplesmente não seria repassado.
Outra informação relevante apurada pela Folha é que os R$ 14 mil são pagos diretamente pelo Governo Federal aos profissionais, sem transitar pela conta da prefeitura. Esta informação foi confirmada por um dos médicos que atendem a cidade por meio do programa federal.
Prefeitura não se manifesta
A reportagem tentou contato com o prefeito Nilton Meira e com o vice-prefeito Fabiano Barbosa para esclarecimentos adicionais, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Denúncia no MPPR e manifestações
No início de fevereiro, uma representação foi protocolada no MPPR relatando possível perseguição política contra os médicos do programa. A denúncia foi apresentada por Luciane Barbosa de Souza Teixeira, moradora que tem participado da organização das manifestações.
“Isso é perseguição política. O prefeito e a secretária de Saúde se uniram para retirar esses médicos, chegando a expor atestados, enquanto houve profissionais que ficaram quase dois meses sem trabalhar e ninguém questionou”, declarou.
Na noite da quarta-feira (11), uma passeata foi organizada pelas ruas de Carlópolis em protesto contra o encerramento do convênio.
Indícios de perseguição seguem sob apuração
Além das divergências sobre os custos financeiros, a Folha apurou relatos de possíveis perseguições contra médicos vinculados ao programa. As denúncias incluem tanto motivações políticas quanto questões de ordem pessoal.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre essas acusações. A reportagem segue acompanhando o caso e deve trazer novas atualizações conforme o avanço das investigações e eventuais manifestações das autoridades envolvidas.