DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
WENCESLAU BRAZ - Aos 18 anos, Geovana Cristina Lourenço carrega no currículo algo que muitos sonham e poucos conquistam: primeiros lugares em vestibulares nas melhores universidades públicas do Paraná, disputando vagas concorridas e sem nunca ter feito cursinho particular. A trajetória começou cedo, ainda no ensino fundamental, em escolas públicas de Wenceslau Braz, no Norte Pioneiro, e foi movida por disciplina, paixão pela escrita e muito apoio familiar.
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Desde o prézinho até o terceiro ano do ensino médio, Geovana sempre estudou na rede pública. Passou pela Escola Municipal Joaquim Maria Machado de Assis, pelo Colégio Estadual Professor Milton Benner e concluiu os estudos no Colégio Estadual Doutor Sebastião Paraná (CESP). Foi ali que ela construiu a base que a levaria longe.
“Minha preparação começou quando eu ainda estava no fundamental 2, quando decidi que queria cursar uma universidade pública”, conta.
O gosto pela escrita ganhou força em 2022, quando Geovana foi classificada como um dos maiores destaques no Agrinho, concurso estadual de redação. O resultado foi um divisor de águas. “Ali eu percebi que minha facilidade com a escrita poderia me ajudar muito nos vestibulares.”
Rotina intensa e redações diárias
Sem cursinhos, a estratégia foi clara: estudo em casa, resolução de questões e muitas redações. Muitas mesmo. Na reta final para os vestibulares, Geovana chegava a escrever até três redações por dia.
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“Cheguei a uma média de mais de 900 pontos antes mesmo de fazer as provas”, relembra.
Além do esforço individual, a escola também teve papel importante. Professores ofereceram listas de exercícios e aulões preparatórios. Em especial, Geovana destaca o apoio da professora de matemática, Eloise.
“Ela fornecia listas impressas com os temas que a turma tinha dificuldade. A gente resolvia tudo em casa.”
Primeiro lugar e uma certeza silenciosa
O resultado mais emblemático veio pelo Aprova Paraná, quando Geovana conquistou o 1º lugar na Universidade Estadual de Londrina (UEL) para o curso de Letras - Francês. Detalhe: havia apenas uma vaga.
Ela soube do resultado enquanto estava no trabalho.
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“Eu já tinha uma certa certeza, porque o sistema permite ver a classificação antes do fim das inscrições. Então eu já sabia um pouco.”
Mesmo assim, a apreensão existia.
“Quando vi o resultado oficial, não tive muita reação. Antes eu estava bem nervosa, porque sempre existe a chance de não dar certo.”
O choro veio com o ENEM
A emoção mais intensa veio depois, com o resultado do SISU, usando a nota do ENEM. Geovana passou em Letras Português e Inglês na UENP, justamente o curso que sempre foi seu verdadeiro sonho.
“Eu chorei. Não esperava conseguir uma vaga pelo ENEM. O que me salvou foi a minha nota na redação.”
Além disso, ela também conquistou o 1º lugar em Matemática na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), como segunda opção.
O peso e a força do apoio familiar
Por trás da rotina intensa de estudos, havia uma base sólida: a família.
“Eu só consegui tudo o que consegui por causa deles. Me deram tempo, apoio e material, sem me cobrarem nada.”
Mas o caminho teve custo emocional. Geovana precisou abrir mão de momentos importantes.
“Deixei de viver muitos momentos com a minha família. Teve vezes em que eu estudava mais de quatro horas por dia e só saía do quarto para jantar.”
“Não indicaria para outra pessoa sacrificar o tempo com a família. O que importa não é quanto tempo você estuda, mas a qualidade.”
Hoje, ela reflete com maturidade: “Não indicaria para outra pessoa sacrificar o tempo com a família. O que importa não é quanto tempo você estuda, mas a qualidade.”
Entre o status e o sonho
Antes de decidir por Letras, Geovana chegou a considerar outros cursos.
“Primeiro Psicologia, depois Direito, muito pelo status. Mas quando saiu o resultado do SISU, eu tive certeza.”
A escolha final foi Letras Português e Inglês, na UENP, campus Jacarezinho, onde ela começará uma nova etapa, mesmo enfrentando dificuldades com transporte.
“Letras sempre foi meu sonho. Desde criança eu queria ser escritora.”
O desejo ganhou ainda mais força após vencer dois concursos estaduais de redação.
“Eu tenho um amor gigantesco pela língua portuguesa e pela literatura. Sei que esse curso vai me preparar muito bem.”
Um retrato da escola pública
Apesar das dificuldades, Geovana defende a educação pública.
“Se compararmos com quem estudou em colégio particular, a diferença é grande. Mas não por falta de professores qualificados. O problema é o tempo.”
Ainda assim, ela acredita que sua história prova a força da escola pública.
“Mesmo com essas dificuldades, a escola pública me colocou nos primeiros lugares e fez com que muitos como eu conquistassem vagas nas universidades mais disputadas do Paraná.”