DA REDAÇÃO/ALEP - FOLHA EXTRA
O deputado Alexandre Curi (PSD), presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), declarou na última segunda-feira (02) que a Casa Legislativa encaminharia um ofício cobrando explicações urgentes sobre a instalação de pedágios eletrônicos no Estado. O assunto virou centro de discussão por apontar risco de demissões em massa, cobrança integral em trajetos curtos e outros pontos que, após análise, não acompanham previsão contratual.
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A exigência foi feita por Curi em Sessão Plenária na segunda-feira e, segundo suas explicações, o documento oficial foi encaminhado à ANTT ainda na manhã desta terça-feira (03), assinado por parlamentares que não são contra a instalação dos pedágios Free Flow, mas sim contra a forma que estão sendo aplicados no Paraná: “com uma clara finalidade arrecadatória, colocando as praças na entrada ou saída das cidades”, segundo o deputado Evandro Araújo (PSD).
Pedágios Free Flow no Paraná: entenda
Também conhecidos como pórticos eletrônicos ou pedágio free flow, os sistemas possibilitam que a cobrança das tarifas seja realizada de forma automática, sem a necessidade de praças e cancelas. Equipamentos como câmeras e sensores bastam para detectar a passagem do veículo e realizar a cobrança, por meio da identificação das placas ou de tags. Os pórticos estão sendo instalados neste momento nas regiões Norte e Noroeste do Paraná, contempladas pelos lotes 4 e 5.
A instalação da tecnologia foi o principal tema discutido na Tribuna durante a primeira sessão plenária de 2026. Ao todo, dez parlamentares que integram tanto a base quanto a oposição elencaram problemas na implementação do sistema no Estado. Entre as críticas estão a discrepância entre a localização dos pórticos eletrônicos e as praças físicas e os possíveis impactos para moradores lindeiros, que podem pagar tarifa cheia em deslocamentos curtos. Informações repassadas aos usuários indicam que a tarifa poderá ser integral, e não proporcional ao trecho percorrido.
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Também foram discutidos possíveis impactos aos trabalhadores das praças de pedágio, diante da possibilidade de demissão dos profissionais. Além disso, foi apontado que a instalação do sistema free flow, realizada neste momento, não estava prevista no contrato firmado entre o governo federal e as concessionárias.
Deputados entram na briga: “Milhares de empregos serão cortados”
Os deputados estaduais demonstraram consenso ao afirmar que não são contra o pedágio nem contra a modernização do sistema, mas criticaram duramente a mudança de localização dos pórticos eletrônicos, que estaria sendo feita com objetivo exclusivamente arrecadatório. Segundo eles, o deslocamento dos pontos de cobrança — muitas vezes para dentro ou na saída de cidades — não estava previsto no Programa de Exploração da Rodovia (PER) nem nos editais de concessão, que estabeleciam localização exata (latitude e longitude) das praças.
Parlamentares destacaram que a alteração dos pontos de cobrança passa a penalizar moradores que antes não pagavam pedágio, mesmo em deslocamentos curtos, como trajetos urbanos ou de acesso a propriedades rurais e áreas industriais. Exemplos foram citados em municípios como Rolândia, Arapongas, Marialva, Mauá da Serra e Faxinal, onde cidadãos seriam obrigados a pagar pedágio por percorrer poucos quilômetros.
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Além do impacto direto no bolso da população, foi apontado também o efeito social da substituição das praças físicas pelo modelo eletrônico, com a eliminação de milhares de postos de trabalho. Para os deputados, a lógica do free flow, da forma como está sendo aplicada, aumenta a arrecadação das concessionárias e reduz custos, sem oferecer contrapartidas claras à população.
“No caso de Rolândia, a praça de pedágio foi abandonada e a puxaram de Arapongas para Rolândia para captar todo o tráfego local do Parque Industrial de Rolândia. É para aumentar a receita e reduzir a despesa”, exemplificou o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD), que também tratou do impacto sobre os funcionários do serviço.
“São milhares de empregos que serão cortados”, disse Romanelli.
Houve ainda críticas de cunho político. Parte da oposição lembrou que os contratos de concessão começaram a ser firmados ainda no governo federal anterior, passaram pela Assembleia Legislativa e tiveram apoio de parlamentares que hoje se dizem contrários ao modelo. Foi defendido que haja autocrítica e união dos deputados para corrigir os erros e impedir prejuízos à população.
Representantes da base do governo estadual afirmaram que o Executivo é oficialmente contrário à mudança arbitrária dos pórticos e já está dialogando com as concessionárias. Contudo, ressaltaram que o Estado não tem poder direto para alterar contratos, cabendo essa decisão à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Por fim, deputados reforçaram que a Assembleia não se omitirá, defendendo o envio de ofícios, a atuação das comissões permanentes e a realização de audiências públicas para pressionar os órgãos responsáveis e garantir que qualquer mudança respeite os contratos, a legalidade e o interesse público.