DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
WENCESLAU BRAZ - O que deveria ser apenas um momento de diversão virou um alerta grave, daqueles que nenhum pai imagina receber. Em Wenceslau Braz, no Norte Pioneiro do Paraná, um menino de apenas 9 anos foi exposto a insinuações de cunho sexual enquanto jogava um game online da plataforma Roblox, frequentada diariamente por milhões de crianças e adolescentes. O episódio, vivido pelo policial militar Alex Sando Ribeiro, conhecido como Dori, pai do garoto, escancara os riscos silenciosos que se escondem por trás de ambientes virtuais vendidos como seguros e infantis.
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O caso veio à tona em meio ao avanço de operações em todo o Brasil voltadas ao combate de crimes virtuais contra crianças e adolescentes. Pedofilia, sexualização infantil e abusos sexuais integram o foco dessas ações, que já revelaram situações extremas e, em alguns casos, resultaram em tragédias no país e no exterior.
Na região, até então, nenhum episódio desse tipo havia sido publicamente exposto, o que torna o relato ainda mais significativo e serve como um alerta direto aos pais: essa é uma realidade dura, crescente e da qual, infelizmente, nenhuma família está completamente imune, mas que pode evitar com monitoramento e cuidado.
“Levaram ele para um quarto e encenaram cenas sexuais”
Em entrevista à Folha, Dori relatou o episódio com o objetivo de alertar outros pais. Segundo ele, os filhos, de 9 e 14 anos, costumam dividir o tempo de jogo no Roblox. Em agosto do ano passado, enquanto o caçula jogava o jogo Brokhaven RP, uma pessoa se passando por criança entrou no mesmo chat. A interação, inicialmente, parecia comum e inofensiva, como acontece diariamente entre milhares de crianças em jogos online.
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“Depois de um tempo, essa pessoa, usando um personagem feminino, convidou meu filho para entrar em um quarto dentro do jogo. Foi aí que a situação mudou completamente. Houve uma encenação com conotação sexual, e o personagem começou a dançar sobre a cama. Fizeram até um tipo de orgia dentro do jogo. Meu filho mais velho viu o que estava acontecendo e chamou a mãe imediatamente”, contou.
No momento do ocorrido, a mãe dos garotos denunciou o jogador diretamente na plataforma, mas o episódio não chegou a ser registrado oficialmente, segundo Dori. Para ele, a situação serve como um alerta urgente aos pais, especialmente àqueles que não acompanham de perto o conteúdo consumido pelos filhos no ambiente digital.
“Não é só o Roblox. Outras plataformas também oferecem riscos para crianças e adolescentes. Os pais precisam acordar, prestar atenção e monitorar de verdade o que os filhos estão vendo no celular. É um risco atrás do outro”, afirmou o pai.
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Roblox: más intenções se infiltram nos ambientes infantis
É importante destacar que o Roblox, enquanto plataforma, não possui conteúdo sexual ou impróprio em sua proposta oficial. O jogo é voltado ao público infantil e juvenil, possui regras claras que proíbem qualquer tipo de sexualização, abuso ou comportamento inadequado, e disponibiliza ferramentas de denúncia, bloqueio e controle parental. Experiências como o Brokhaven RP são desenvolvidas para simular interações sociais de forma lúdica, sem qualquer incentivo a práticas adultas.
O problema surge quando pessoas com más intenções se infiltram nesses ambientes, criando perfis falsos e se passando por crianças para ganhar confiança e manipular situações. Aproveitando-se do chat e da interação social permitida nos jogos, esses usuários distorcem o uso da plataforma, criando encenações e comportamentos que violam as regras e colocam crianças em risco.
Por isso, o episódio relatado não deve ser entendido como uma falha isolada do jogo em si, mas como um alerta sobre a vulnerabilidade de ambientes digitais abertos quando não há fiscalização constante. A segurança das crianças depende da atuação conjunta da plataforma, por meio de moderação e punições, e dos pais e responsáveis, com acompanhamento ativo, diálogo e orientação sobre o uso consciente da internet.