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Denúncia expõe maus-tratos contra idosa de Wenceslau Braz na Santa Casa de Jacarezinho

Caso foi exposto pelo vereador Khauffmann Machado em suas redes sociais, que apontou falhas no atendimento e tratamento inadequado à paciente

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

WENCESLAU BRAZ - A Santa Casa de Jacarezinho, que há anos é alvo de polêmicas relacionadas ao atendimento a pacientes e à condução de casos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), voltou ao centro das discussões nesta semana. A instituição foi novamente exposta após o vereador de Wenceslau Braz, Khauffmann Machado, relatar em suas redes sociais uma situação considerada grave envolvendo uma paciente do município. A publicação foi feita na última terça-feira (06) e gerou repercussão regional.

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De acordo com o vereador, a paciente idosa, que ele acompanha com frequência para tratamento de hemodiálise, sofreu uma fratura de fêmur, quadro que, segundo ele, exige atendimento rápido, especializado e, acima de tudo, humanizado. No entanto, o que teria ocorrido dentro da unidade hospitalar não correspondeu a essa expectativa.

Segundo o relato, mesmo após a paciente ter saído da Central de Leitos, ela permaneceu por um período no corredor da Santa Casa, em condições que, nas palavras do parlamentar, “não condizem com a dignidade que qualquer ser humano merece”. Somente posteriormente a paciente foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O vereador faz questão de esclarecer que a internação na UTI não ocorreu em razão da fratura, mas sim pela necessidade da paciente de realizar sessões de hemodiálise, procedimento essencial para sua sobrevivência. A fratura de fêmur, apesar da gravidade e da dor intensa associada, não teria sido o fator determinante para a vaga na unidade intensiva.

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Ele ainda contou que foi informado que o procedimento ortopédico pelo SUS poderia levar cerca de 10 dias para ser realizado. O que mais causou indignação, segundo ele, foi a informação de que, caso o atendimento fosse particular, a cirurgia poderia ocorrer no mesmo dia.

“Isso levanta um questionamento muito sério: quem depende exclusivamente do SUS pode esperar, mesmo com dor, risco e sofrimento?”, questionou o vereador em sua manifestação pública.

Ao expor o caso, Khauffmann Machado afirmou que sua intenção não é atacar médicos, enfermeiros ou demais profissionais da linha de frente, que lidam diariamente com um sistema sobrecarregado e limitações estruturais. O foco, segundo ele, está na necessidade de cobrar explicações da gestão, mais transparência nos processos e providências urgentes para evitar que situações semelhantes se repitam.

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“Como vereador de Wenceslau Braz, não posso me calar diante de fatos como esse. Saúde é um direito constitucional, não um privilégio para quem pode pagar”, destacou.

Khalffmann expôs a situação em suas redes sociais nesta terça-feira (06). Foto: Divulgação

 

O episódio reacende o debate sobre a qualidade e a equidade no atendimento de saúde pública na região, especialmente em uma instituição que, ao longo dos anos, já esteve envolvida em outros relatos de falhas no atendimento e demora em procedimentos. A expectativa agora é de que o caso seja apurado e que medidas concretas sejam adotadas para garantir atendimento digno e igualitário a todos os pacientes.

Caixa paralelo, má gestão e falta de transparência

No ano passado, a Santa Casa foi o centro de debates no Norte Pioneiro. Prefeitos, representantes públicos e órgãos oficiais investiram em diversas ações contra a instituição, após inúmeras denúncias que relatavam irregularidades na administração, especialmente na aplicação de recursos públicos e na cobrança de pacientes do (SUS). Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instaurada para investigar o caso, que resultou em um relatório que aponta má gestão, falta de transparência e a existência de um caixa paralelo que movimentava até R$ 30 mil por dia em dinheiro vivo, sem registros contábeis ou fiscais formais.

Segundo o relatório, a Santa Casa mantinha um controle manual de entradas e saídas de valores, com anotações feitas em um caderno simples. O administrador da instituição, Eliézer de Freitas Ribeiro, confirmou em depoimento que havia movimentação diária de R$ 25 mil a R$ 30 mil em espécie, sem sistema de controle formal. “Nós tínhamos um volume alto em espécie. Mas não tínhamos como fazer o controle”, declarou à CPI.

O relatório também cita denúncias de cobrança indevida por cirurgias custeadas pelo SUS, negligência médica e condições precárias de atendimento. Um dos casos mencionados é o do menor Pedro Henrique, que teria morrido após falhas no atendimento de emergência. Há ainda relatos de superlotação, falta de especialistas, infraestrutura deteriorada e intimidação de funcionários que denunciaram problemas internos.

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