O reflexo da sociedade violenta aflige diretamente a população que, diariamente, vive com a insegurança de sair de casa e não saber se irá retornar. Esse mesmo medo preocupa as famílias de policias, que combatem diariamente ações de criminosos para manter a segurança da região em que trabalham.
Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública do Paraná, o número de mortes de policiais dobrou em 2017. Em 2016, 21 policiais morreram fora do horário de serviço, no ano anterior 13 faleceram enquanto estavam de folga. Já em escala de trabalho, foram quatro mortes em 2016 e seis em 2015.
Mesmo sendo números relativamente baixos, a estatística não deixa de ser preocupante, pois se trata de trabalhadores que dão a vida para manter a segurança da população.
No Norte Pioneiro, a família do soldado da Polícia Militar do 2º Batalhão, Wilson Alves Rosa, sofreu e ainda sofre como ninguém por ter um ente em meio a esses índices.
Infelizmente, a dor da família e a comoção da população que presenciou ou ouviu a história trágica do policial não se apagam, como conta o PM Ricardo Alves Rosa, filho de Wilson, que herdou do pai o amor pela profissão, assim como seus três irmãos, Wilian Alves Rosa, Nadir Donizete Alves e Diarles Alves Rosa, que, atualmente, honram a farda no município de Ibaiti.
“A dor nunca vai acabar, meu pai é nosso exemplo, tiramos dele a força para continuarmos lutando por essa profissão que carece de amor e dom para exercer”, comenta Ricardo.
Wilson, a quem Ricardo se refere, ingressou na Polícia Militar em 1976, exerceu a profissão durante 16 anos, quando teve sua vida ceifada por um criminoso. Ainda hoje, o PM é lembrado na região, pelos companheiros de farda e pela população, que reconhecem seu engajamento na segurança pública em diversas companhias do 2º BPM.
Homicídio
Tudo aconteceu no dia 30 de agosto de 1992, quando Wilson prestava serviço à Companhia de Ibaiti, no Distrito do Campinho e, lamentavelmente, não voltou para casa após um plantão noturno.
A rotina até então normal do policial tomou um rumo triste, quando o militar foi surpreendido por um criminoso que há alguns anos havia sido preso por Wilson, por conta de um homicídio cometido no Distrito de Santa Maria do Rio do Peixe, município de Congonhinhas.
O criminoso, que se encontrava foragido da Colônia Penal Agrícola do Paraná, resolveu naquele dia se vingar e usando uma faca, tirou a vida do policial, que já chegou morto ao hospital de Ibaiti.
Após dez meses da morte do militar, o criminoso entrou em confronto com policiais de Cascavel e veio a óbito.
Exemplo de retidão e amor à PM, Wilson é lembrado com saudades pela viúva Sebastiana Alves Rosa. “Mesmo estando diariamente em confronto com a criminalidade, eu jamais esperava que isso acontecesse. Ele deixou um legado muito bonito para nossa família, tenho muito orgulho da pessoa que ele era e que tinha amor pela farda”, comenta.
“A tristeza da morte dele é eterna, mas sinto orgulho da pessoa que ele foi, transmitindo aos filhos o dom pela profissão”, finaliza Sebastiana.

PM Wilson faleceu no dia 30 de agosto de 1992


