DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
WENCESLAU BRAZ - Há histórias que atravessam o tempo como um sussurro da gratidão. Essa começa há quase seis décadas, em um bairro rural na cidade de Wenceslau Braz, região do Norte Pioneiro. Um incêndio quase tirou a vida de uma bebê no bairro, mas um homem misterioso apareceu do nada e salvou a criança das chamas. Hoje, décadas depois, o influencer digital Renato Pedroli, que vive na Flórida (EUA), está em uma missão emocionante: descobrir quem foi o herói anônimo que salvou sua mãe.
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Tudo começou na noite de 13 de maio de 1967. Os avós de Renato, José Adão Silvério e Luzia Silvério de Jesus, moravam em um sítio que segundo Renato se chamava Chapadão. Naquela noite, José saiu para a cidade para ir a um casamento, deixando Luzia em casa com os três filhos - dois meninos e a caçula, Rosa Maria, que na época tinha apenas três meses de vida.
“Um dos irmãos da minha mãe acabou incendiando o galinheiro, que ficava bem perto da casa. O fogo se espalhou rápido e atingiu tudo. Minha avó conseguiu sair com meus tios, mas não teve tempo de pegar minha mãe”, contou Renato à Folha.
Quando tudo parecia perdido e Luzia já não tinha forças para salvar a bebê, um homem misterioso surgiu do nada. Enquanto ela gritava por socorro, tomada pelo medo e pelo desespero, ele entrou no meio das chamas, enfrentou a fumaça que tomava a casa e conseguiu resgatar a pequena Rosa. Mas Luzia nunca chegou a ver quem era o homem, e até hoje esse mistério continua intrigando a família.
Apesar de todos terem conseguido escapar e ninguém ter se ferido, José e Luzia viram seus sonhos virarem cinzas naquela noite. O fogo não levou apenas a casa onde moravam, mas também anos de trabalho, lembranças e tudo que haviam conquistado com tanto esforço. “Eles perderam tudo - a casa, os móveis, tudo o que tinham foi destruído pelo incêndio”, relembra Renato, emocionado ao contar a história da família.
Com tudo indo por água abaixo e os sonhos se desfazendo, seus avós não viram outra saída a não ser mudar de cidade. Levando apenas as roupas do corpo, os filhos e um fio de esperança, partiram para Mogi Guaçu, no interior de São Paulo. Lá, conseguiram se reerguer. O casal teve mais três filhos e construiu uma nova vida por ali.
Mas, para Renato, a história do homem que salvou a vida de sua mãe - e, consequentemente, de todas as gerações que vieram depois - não pode ser esquecida. Ele acredita que esse gesto merece reconhecimento. Um dos maiores desejos de sua vida é encontrar essa pessoa, a quem considera um verdadeiro herói, e poder agradecer pessoalmente por aquele ato de coragem.
“Eu preciso encontrar esse homem e dizer a ele que ele é um herói. Contar que, por causa dele, minha mãe está viva, e que eu, meus irmãos e meus sobrinhos só existimos graças a ele”, afirmou Renato em entrevista.
Renato também disse que, caso esse homem já tenha falecido, ele quer encontrar a família dele. Para ele, é importante poder contar o que esse homem fez, mostrar o verdadeiro tamanho do ato heroico e expressar toda a gratidão que sente, mesmo que indiretamente, por meio de quem continua seu legado.
“Eu realmente preciso contar o que ele fez. Sem ele, eu nem estaria aqui, e minha esposa provavelmente estaria casada com um cara que nem chegaria aos meus pés”, brincou Renato.
Ele disse à Folha que já tentou de várias maneiras descobrir mais sobre o que aconteceu naquela época, na esperança de encontrar o homem, mas até agora não teve sucesso. No entanto, quem souber dessa história, conhecer o herói de Rosa ou sua família, pode entrar em contato com a Folha para que a informação chegue até Renato e o gesto heroico seja finalmente reconhecido.