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O Canto Siqueirense e o Som do Geração Nativa

Aqui não se extraem pedras preciosas nem jazidas de ouro, mas sim poesia, música, dança e expressão

por Flávio Mello

Secretário Municipal de Cultura

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@flaviomelloescritor

 

Morar em Siqueira Campos é viver num universo onde a arte está em cada canto — e se ouve esse canto junto ao vento, muitas vezes morno, que sopra pelas ruas, pelas praças e pelos corações. Siqueira é uma terra rica, que a cada ano prospera um pouco mais: cresce na tecnologia, avança na construção civil, ergue novos prédios, e se verticaliza sem perder a alma interiorana. É uma cidade que se reinventa, que age, que pulsa.

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Aqui não se extraem pedras preciosas nem jazidas de ouro, mas sim poesia, música, dança e expressão.

Amo ser siqueirense — ou, como disse certa vez meu amigo poeta e músico Dirceu Rosa, um paulista siqueirense. Porque Siqueira é mais do que um lugar: é uma colônia de gente criativa, uma mina de talentos. Aqui não se extraem pedras preciosas nem jazidas de ouro, mas sim poesia, música, dança e expressão.

E é dessa mina que nascem grupos como o Geração Nativa, verdadeira prova de que o canto siqueirense é feito de alma, suor e tradição. Já tive a honra de vê-los se apresentarem inúmeras vezes, e posso garantir o quanto são bons no que fazem. Mais do que músicos, são representantes de um povo que canta com o coração.

A história do grupo começa em 2008, quando ainda se chamavam Nova Geração, com Marcelo como cantor, Nelson no baixo, Mauro na sanfona e Davi na guitarra. O que os movia era simples e grandioso: o amor pela música gaúcha.

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Em 2012, uma nova etapa começou. Nascia o Geração Nativa, uma fase de amadurecimento, de novas histórias e amizades. Muitos músicos passaram por essa estrada: Ricardo na guitarra, Adalto e Joslei na bateria, Mauro no acordeon, Genilson nos vocais, e Marcelo, o fundador, baixista e alma constante do grupo.

Hoje, o Geração Nativa segue firme com nova formação: Genilson nos vocais, Vicente e Edilson no acordeon, Marcelo Machado no baixo e Marcelinho na bateria. Juntos, mantêm viva a chama do tradicionalismo e o orgulho de representar Siqueira Campos nos bailes e festas do Paraná.

Marcelo costuma dizer que agradece a Deus por proteger o grupo “nas estradas da vida”. E talvez seja isso que mais define o Geração Nativa — a estrada. Porque a música, como a vida, é feita de caminho, poeira e destino. E o som deles carrega tudo isso: o amor pela arte, o respeito pela tradição e o orgulho de levar o nome de Siqueira por onde passam.

No fundo do palco, quando a gaita abre o fole e o acordeon respira, é como se o vento do Sul invadisse o salão.

Sente-se o cheiro de erva-mate, o estalar das botas no chão de madeira, o timbre do violão que parece vir de algum rincão distante.
É o mesmo vento que sopra nos campos de Vacaria, nas serras de Gramado e nas fronteiras de Rivera, atravessando o tempo e os caminhos, trazendo consigo as vozes dos antigos tropeiros e o rastro das cavalgadas sob o céu cor de brasa.

O Geração Nativa carrega essa paisagem sonora dentro de si. Cada acorde é uma lembrança: de uma querência antiga, de um rancho aceso ao redor do fogo, de uma trova cantada entre amigos. E é bonito ver que esse espírito do Sul — de coragem, trabalho e música — encontrou morada também aqui, em Siqueira Campos, essa terra que acolhe e transforma, que faz de cada artista um semeador de cultura.

Vida longa ao Geração Nativa, essa banda maravilhosa que traduz em cada acorde o canto siqueirense e a alma sulista. E vida longa à nossa cidade, esse lugar onde a arte não é apenas uma forma de expressão, mas uma forma de viver.

Flávio Mello é escritor, músico e gestor cultural paulistano, com obra marcada por lirismo urbano, crítica social e escuta sensível. Após um acidente na juventude, encontrou na literatura um caminho de reconstrução e expressão profunda. Estabelecido em Siqueira Campos (PR), transformou a cena cultural local por meio de projetos, festivais e políticas públicas, sendo amplamente reconhecido por seu impacto regional. Sua escrita transita entre o realismo brutal e a poesia do cotidiano, abordando temas como infância, fé, masculinidade e resistência. É membro de academias literárias e segue criando, também na música, com um projeto de doom metal filosófico.

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