DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
Desde o início do mês de agosto, as diferenças nas temperaturas e nos volumes de chuva entre as regiões marcaram o Paraná, e isso impactou diretamente no resultado do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas (ANA). A seca recuou no Oeste e no Noroeste, onde a chuva foi mais volumosa, e se agravou no Norte, Norte Pioneiro, cidades dos Campos Gerais e também na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), onde foi abaixo da média histórica.
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Um estudo realizado com diversos institutos do Estado, incluindo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), foi publicado nesta semana, mostrando o agravante que este cenário teve, principalmente no Norte Pioneiro. O mapa de agosto aponta que a seca evoluiu da categoria moderada para grave na região, onde o agravamento da seca é consequência inerente da falta de chuva nestas regiões.
“Quando falamos em seca grave com relação ao Norte Pioneiro, estamos falando de perdas de cultura ou pastagens e escassez de água, que se torna cada vez mais comum e também pode gerar restrição no abastecimento”, diz Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
Na cidade de Cambará, por exemplo, o pluviômetro do Simepar não registrou nem 1 mm de chuva durante todo o mês de agosto. A última chuva significativa na cidade foi em 28 de julho, quando os pluviômetros registraram um acumulado de 16,2 mm, ou seja, já se completaram 49 dias sem chuva acima de 1mm na cidade.
“No Norte Pioneiro, RMC e Litoral as chuvas irregulares dos últimos meses agravaram a seca que já vinha sendo observada, principalmente no Litoral, que evoluiu com uma seca moderada”, disse Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar que participa da elaboração do Monitor de Secas.
Em Santo Antônio da Platina, o cenário também é preocupante. Há pelo menos 26 dias os moradores não veem uma gota de chuva cair do céu, e a tendência é que esse período de estiagem se prolongue ao longo da semana.
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O meteorologista ainda explica em quais áreas a região está sendo mais afetada. “Quando falamos em seca grave com relação ao Norte Pioneiro, estamos falando de perdas de cultura ou pastagens e escassez de água, que se torna cada vez mais comum e também pode gerar restrição no abastecimento”, detalha.
A situação se mostra ainda mais preocupante considerando que a região é uma das principais produtoras de café do estado. Neste ano, a região é responsável pela colheita de 29 mil das 42 mil toneladas de café produzidas no Paraná, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e do Abastecimento.
A produção de milho, outro importante destaque econômico da região, também está ameaçada pela longa estiagem. A seca prejudica o desenvolvimento da planta, interferindo na germinação, na polinização e no enchimento dos grãos, o que pode gerar espigas incompletas e grãos de menor tamanho. Além disso, a escassez de água provoca o fechamento dos estômatos, reduzindo a fotossíntese e o acúmulo de biomassa, o que compromete a qualidade do solo e deixa as plantas mais suscetíveis a pragas e doenças.
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Nos Campos Gerais, o cenário também é preocupante. Em Jaguariaíva, a média histórica do acumulado de chuva para agosto é de 74,2 mm, e choveu apenas 3,8 mm, o menor volume para o mês nos últimos 12 anos. Em Telêmaco Borba, a média para agosto é de 80,5 mm, e choveu apenas 4 mm, a menor quantidade no mês dos últimos 25 anos.
No entanto, a situação tende a se agravar. De acordo com as previsões do Simepar, não há expectativa de chuva na região até o final desta semana. Isso significa que cidades como Cambará, que já acumula 49 dias sem precipitação, poderão chegar a 54 dias, enquanto em Jaguariaíva, que está há 16 dias sem chuva, o período chegará a 20 dias. Esses números representam um grande risco para a produção agrícola, a saúde da população e o meio ambiente em toda a região.