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Ministério Público investiga ligação entre o PCC e o Corinthians

Depoimento de Romeu Tuma Júnior aponta que a facção criminosa se infiltrou no clube e manteve relações com jogadores

Redação - Folha Extra

INVESTIGAÇÃO - O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ampliou a investigação sobre o Corinthians, que inicialmente apurava o uso de cartões de crédito corporativos e relatórios de despesas da presidência, para examinar possíveis conexões entre o clube e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O procedimento é conduzido pelo promotor Cássio Roberto Conserino e vem reunindo novos elementos desde julho.

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A ampliação do inquérito ocorreu após depoimento de Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, prestado em 14 de agosto. Ele declarou ao Ministério Público que “o crime organizado se infiltrou” no clube e afirmou estar sofrendo ameaças em razão de sua atuação. O relato levantou suspeitas adicionais sobre relações entre dirigentes, empresários e figuras ligadas ao crime organizado.

Entre as novas frentes da investigação, o promotor busca esclarecer informações de que jogadores do Corinthians teriam se hospedado em um imóvel no bairro Anália Franco, em São Paulo, pertencente a José Carlos Gonçalves, conhecido como Alemão. Ele é apontado em outras investigações como integrante de peso da facção. Conserino solicitou esclarecimentos aos atletas Fausto Vera, Rodrigo Garro e Talles Magno, que devem se manifestar sobre a locação. Não há suspeita de participação em crimes por parte dos jogadores, ou seja, eles foram chamados apenas como testemunhas.

O objetivo do Ministério Público é identificar se houve intermediação do Corinthians no contrato de aluguel e o motivo da escolha do apartamento ligado a Alemão. Essa não é a primeira vez que o clube é citado em investigações envolvendo o PCC. Em apurações anteriores, autoridades identificaram que valores do contrato de patrocínio da VaideBet foram destinados a empresas ligadas à facção.

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Também em 2024, o nome do clube apareceu em uma investigação que apontou a atuação de Rafael Maeda Pires, conhecido como Japa do PCC, na intermediação de negociações envolvendo os atletas Du Queiroz e Igor Formiga. No mesmo período, o ex-diretor de futebol Rubens Gomes, o Rubão, declarou publicamente a existência de conexões entre o Corinthians e o crime organizado.

A investigação atual, instaurada em 30 de julho por meio de Procedimento Investigatório Criminal (PIC), apura supostos crimes de apropriação indébita, estelionato, furto qualificado, falsidade ideológica e associação criminosa. Inicialmente, a apuração mirava apenas a utilização dos cartões de crédito corporativos nas gestões de Andres Sanchez e Duilio Monteiro Alves, mas posteriormente passou a incluir as despesas da presidência a partir de relatórios revelados pela imprensa e o uso dos cartões também no mandato de Augusto Melo.

O Corinthians informou ter iniciado a entrega da documentação solicitada pelo MP referente ao período de 2018 a 2025. O clube já apresentou as faturas dos cartões de crédito e, na última segunda-feira, entregou os relatórios de despesas da presidência. O promotor já ouviu o atual presidente Osmar Stabile e outros dirigentes e marcou para a próxima semana o depoimento do vice-presidente Armando Mendonça.

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Na mesma data, seria colhido o depoimento de João Clóvis, dono de um restaurante suspeito de emitir notas fiscais frias durante a gestão de Duilio Monteiro Alves. A oitiva, no entanto, foi adiada após a defesa dele ingressar com habeas corpus.

Em 21 de agosto, o MP solicitou à Justiça o afastamento dos três últimos presidentes do Corinthians. O pedido, assim como a quebra de sigilo dos cartões de crédito do clube, ainda aguarda decisão judicial.

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