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Powerslave: 41 anos depois, e o lado B da vida

Um clássico do Iron Maiden que atravessa gerações e histórias pessoais

por Flávio Mello

Secretário Municipal de Cultura

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@flaviomelloescritor

 

Essa semana, mais precisamente em 03 de setembro de 2025, um dos álbuns mais importantes do heavy metal, o lendário Powerslave, completa 41 anos. Achei de suma importância trazer para esse espaço uma reflexão sobre esse disco que não é apenas um marco musical, mas também uma parte viva da minha história.

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Tenho orgulho de dizer que possuo o Powerslave em vinil, aquele mesmo exemplar que vi ainda criança, perdido no mundo da arte.

Já escrevi em outras crônicas sobre esse menino curioso, que passava horas folheando livros sobre povos antigos — vikings, persas, gregos, romanos, egípcios — e dali saíam também meus primeiros desenhos, outra paixão que carrego desde cedo.

Lembro-me com nitidez de meu irmão mais velho, Fábio, entrando em casa com um punhado de discos debaixo dos braços. Se a memória não me trai, eram todos do Iron Maiden. E lá estava ele: Eddie, fantasmagórico e impiedoso, um personagem que surgia e ressurgia em cada capa, mais poderoso e enigmático do que antes. Um ser folclórico do imaginário metálico, mas para mim, uma criança sonhadora, quase uma assombração mágica.

E então veio o choque estético: a capa de Powerslave. Eddie em pedra, sentado como um faraó, cercado de símbolos egípcios, imponente, magnífico. Naquele instante, pouco me importava a música. Era a arte que falava mais alto. As capas, naquela época, eram portais. Não eram meros enfeites, mas narrativas visuais, obras de artistas plásticos como Derek Riggs, que criou o Eddie. É uma pena que a revolução do CD e depois dos streamings tenha soterrado essa experiência tátil, quase ritualística, de segurar uma capa e ser arrastado para dentro dela.

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Para mim, só Powerslave e Abigail, do King Diamond, rivalizam nesse patamar de beleza no universo do metal.

O Iron Maiden mudou minha forma de ver a arte. Ter esses discos ainda hoje é, para mim, mais do que nostalgia: é um sentimento de vitória. Muitos se espantam ao ver um “metaleiro” à frente da Cultura em minha cidade. Mas poucos sabem que meu gosto musical nunca se limitou ao metal, ao rock e seus derivados. Se a música for boa, ela merece ser ouvida — independentemente do estilo. O ouvido precisa ser educado para atravessar fronteiras e preconceitos.

E não se enganem: as letras do Iron não são apenas gritos e distorções. São verdadeiras aulas de história, literatura, mitologia, filosofia. Powerslave, com sua atmosfera egípcia e a adaptação épica de Coleridge em Rime of the Ancient Mariner, prova que o metal é, sim, um espaço de erudição, imaginação e profundidade estética.

São quarenta e um anos de um disco que não envelhece. Mais de quatro décadas, e ainda ouço gente dizendo que meu estilo de vida era “apenas uma fase”. Tolice. Essa “fase” me fez quem eu sou, moldou minha visão de mundo, lapidou minha sensibilidade artística.

Hoje, ao colocar o vinil na vitrola, sinto que não ouço apenas música: viro também o lado B da vida. Cada faixa é uma lembrança, cada chiado da agulha é uma lição de resistência. E assim sigo, esperando sempre pela próxima canção, pela próxima história, pela próxima travessia que a arte, em todas as suas formas, nos convida a viver.

 

 

 

 

 

 

Flávio Mello é escritor, músico e gestor cultural paulistano, com obra marcada por lirismo urbano, crítica social e escuta sensível. Após um acidente na juventude, encontrou na literatura um caminho de reconstrução e expressão profunda. Estabelecido em Siqueira Campos (PR), transformou a cena cultural local por meio de projetos, festivais e políticas públicas, sendo amplamente reconhecido por seu impacto regional. Sua escrita transita entre o realismo brutal e a poesia do cotidiano, abordando temas como infância, fé, masculinidade e resistência. É membro de academias literárias e segue criando, também na música, com um projeto de doom metal filosófico.

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