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A Cultura Siqueirense invadiu a 94ª Festa do Senhor Bom Jesus da Cana Verde

“Nunca me senti tão parte desse festejo como nesta edição”

por Flávio Mello

Secretário Municipal de Cultura

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@flaviomelloescritor

Foi um prazer!

Eu poderia encerrar esta crônica aqui mesmo — sim, um grande prazer. Nestes 27 anos em que conheço nossa linda Siqueira Campos, e nestes últimos oito em que participo ativamente da vida cultural do município, nunca me senti tão parte desse festejo como nesta edição.

Digo isso porque, por meio do Governo Municipal, a Cultura foi convidada a ocupar o estande da Prefeitura — uma vitrine dos feitos da gestão — com algumas de nossas oficinas. E foi o que fizemos. Infelizmente, não conseguimos levar todas as atividades, nem com a mesma qualidade, já que o espaço não permitia som alto e o declive do local dificultava as apresentações de dança. Mas foi lindo, mesmo assim.

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Na literatura, distribuímos com orgulho nosso periódico A Gralha — por ora, o único jornal impresso dedicado 100% à divulgação da literatura e das artes em geral, valorizando artistas do município e da região.

Vale lembrar que uma importante rua, que dá acesso ao parque da festa, foi fechada para os artesãos e artistas de rua, da cidade e da região, exporem e venderem seus trabalhos. Pelo segundo ano consecutivo — e agora com respaldo legal por meio de decreto — esse direito foi garantido e a Secretaria Municipal de Cultura ofereceu apoio e estrutura para que pudessem trabalhar com dignidade e mostrar sua arte.

Na noite de sexta-feira, após a missa, o Grupo de Dança Gaúcha Alma Campeira encantou o público com quatro danças típicas do sul, lideradas pela talentosa e querida Rosivane Canedo — uma das parceiras mais constantes da minha gestão à frente da Cultura.

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Também na sexta, parte da nossa querida Orquestra de Viola Siqueirense, coordenada pelo Maestro João Antônio, emocionou o público com um repertório que percorreu o cancioneiro sertanejo, num verdadeiro túnel do tempo cheio de afeto e nostalgia.

No sábado, tivemos a participação da Escola de Circo Siqueirense, coordenada pelo incrível Palhaço Salsicha (nosso Chefe de Divisão de Cultura, Wiber Willian). Crianças e adultos mostraram um pouco do que aprendem em nossas oficinas. Sem contar com as peraltices do Palhaço Pirulito, o Seu Carvalho, que roubou risadas do público.

Paralelamente, o Grupo Grifo de Fogo, liderado por Yuri Ishikiriyama e seu fiel escudeiro Luiz Gustavo Siqueira Landowski, levou um pouco da cultura medieval ao evento, com armaduras forjadas por artistas europeus em estilo real. Além da caracterização impecável, interagiram com o público e renderam belas fotos.

No domingo, para encerrar as intervenções artísticas, o Maestro Adimilson Gefuni emocionou com duas apresentações: primeiro com a Banda Municipal de Siqueira Campos, num repertório tocante e bem recebido, e depois em número solo, que foi amplamente elogiado.

Foi muito gratificante ver a alegria de nossos alunos, professores e artistas se apresentando. Digo com orgulho: foi mágico. Ouvir os inúmeros elogios do público só reforça que estamos no caminho certo.

Viver de arte não é fácil.

Não posso encerrar sem agradecer a dois grandes parceiros dessa caminhada: Vinicius Cardoso, nosso Diretor Municipal de Cultura, e Wiber Willian, Chefe da Divisão de Cultura.

Sem eles, tudo seria ainda mais difícil do que já é. Com sensibilidade, talento e comprometimento, ajudaram a tornar possível cada detalhe dessa intervenção cultural. São amigos, aliados e parte fundamental dessa engrenagem que faz a Cultura Siqueirense pulsar.

São nesses momentos que percebemos o quanto somos fundamentais na vida das pessoas. Nossa luta é árdua, mas é justa. Que a arte siga viva. Que a cultura siga pulsando.

A cultura vive.

Flávio Mello é escritor, músico e gestor cultural paulistano, com obra marcada por lirismo urbano, crítica social e escuta sensível. Após um acidente na juventude, encontrou na literatura um caminho de reconstrução e expressão profunda. Estabelecido em Siqueira Campos (PR), transformou a cena cultural local por meio de projetos, festivais e políticas públicas, sendo amplamente reconhecido por seu impacto regional. Sua escrita transita entre o realismo brutal e a poesia do cotidiano, abordando temas como infância, fé, masculinidade e resistência. É membro de academias literárias e segue criando, também na música, com um projeto de doom metal filosófico.

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