Redação - Folha Extra
SIQUEIRA CAMPOS - O mês de agosto é um período especial para os devotos do Bom Jesus da Cana Verde, o padroeiro do município de Siqueira Campos, no Norte Pioneiro. A homenagem é realizada no dia 6 de agosto há 94 anos, mas a celebração conta com 12 dias de festa que reúne fé, devoção, cultura, gastronomia e também diversão.
A história do Bom Jesus da Cana Verde em Siqueira Campos começa na década de 1930. A imagem do santo, que segundo estudos realizados pela Igreja Católica tem mais de 300 anos, chegou à região quando a família Pinto se mudou de Sorocaba para Carlópolis. Na fazenda da família, o santo ficou exposto e começou a atrair devotos e mais devotos.
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Em 1934, o bispo Dom Fernando determinou que a imagem fosse levada para a Igreja Matriz de Siqueira Campos, pois o município já contava com sacerdotes que podiam atender às condições, dar bênçãos e orientações para os fiéis. Com isso, surge a Celebração do Bom Jesus da Cana Verde. Inicialmente, as homenagens e visitas de fiéis aconteciam na Igreja Matriz do município de forma bem mais simples do que é conhecido hoje.

“Acompanho as celebrações desde que eu me mudei de Tomazina para Siqueira Campos, há 56 anos. Naquela época, a festa era muito menos, havia apenas algumas barraquinhas de alimentos e alguns vendedores que ficavam na rua da Igreja Matriz”, relembra a devota do Bom Jesus, Lia Moraes Silva.
Com o passar dos anos, a celebração transcendeu seu aspecto religioso e passou a fazer parte da cultura do município. A cada ano, mais e mais pessoas chegavam a Siqueira Campos para celebrar o Bom Jesus da Cana Verde e, com isso, foi iniciada a construção do Santuário.
“A Igreja Matriz ficou pequena e foi iniciada a construção do Santuário, sendo que no ano de 1975 o Frei Eduardo realizou a inauguração, por isso este ano estamos celebrando o Jubileu dos 50 anos do Santuário. Na época todos achavam que era algo grandioso, mas hoje vemos que o Santuário já ficou pequeno para o tamanho da festa que vem crescendo ano após ano. Isso demonstra que a fé no Bom Senhor Jesus da Cana Verde segue crescendo e sendo passada de pai para filho nas famílias”, destacou Frei Carlos Gonzaga.
Com a mudança, surge uma nova tradição que se tornou um novo símbolo de fé e passou a fazer parte da cultura da cidade e da festa. “O Bom Jesus permanece na capela da Igreja Matriz e todos os anos é realizada a procissão luminosa onde a imagem segue da Igreja Matriz até o Santuário. É uma tradição que reúne centenas de pessoas que acompanham a procissão até o Santuário para realização da abertura da festa. Essa fé que atrai tantas romarias”, comentou Lia

Falando em romarias, as caravanas são uma das principais tradições da Festa do Bom Jesus da Cana Verde e também um dos mais fortes símbolos de fé e devoção ao padroeiro. São pessoas de diferentes regiões do Brasil que rumam em direção a Siqueira Campos com um propósito: agradecer ao Bom Jesus por suas graças.
Neste ano, a expectativa é que a festa receba mais de 120 mil pessoas. De acordo com a organização, são fiéis e devotos que vêm de cidades de Santa Catarina, cidades paranaenses, com destaque para Londrina, Curitiba e Região Metropolitana, além dos municípios vizinhos a Siqueira Campos. A festa também atrai devotos de grande parte da região Sul do interior de São Paulo, assim como da Bahia, Espírito Santo e Ceará.
Um dos fatores que justificam a concentração de tantos fiéis e devotos na festa são os milhares de milagres atribuídos ao Bom Jesus da Cana Verde. “Meu pai foi internado em Londrina no ano passado com suspeita de AVC, mas os médicos não conseguiam descobrir de fato o que ele tinha. Ele começou a paralisar a face, não conseguia sequer tomar água. Ele é muito devoto do Bom Jesus e, mesmo quase sem movimentos, ainda mexia os dedos com o terço rezando para o santo. Com essas orações, uma médica apareceu um dia e disse que poderia ser miastenia grave. Meu pai já estava há um mês ficando debilitado, mas depois disso, em poucos dias, voltou para casa sem nenhuma sequela”, contou Thaise Cristina Ramos, filha de Antônio Fernandes Ramos, que emocionada atribuiu o milagre ao Bom Jesus.

A história de seu Antônio é uma entre as milhares atribuídas ao santo. Prova disso é a “Sala dos Milagres”, um espaço anexo ao Santuário que reúne centenas de fotos, roupas, gessos, entre outros pertences de pessoas que deixaram ali a prova dos milagres concedidos. O local foi inaugurado simultaneamente ao Santuário e, desde então, vem recebendo diversos itens como prova do agradecimento dos fiéis aos milagres concedidos pelo Bom Jesus da Cana Verde.
Além do aspecto religioso, a festa também envolve tradições culturais que foram se construindo com o tempo. Uma destas tradições é o famoso “shopping popular”, barraquinhas com diversos tipos de produtos que são vendidos e os visitantes da festa, principalmente os moradores da região, aguardam ansiosos para fazer as compras e conhecer as novidades. “Quem nunca juntou um dinheirinho para comprar pelo menos umas meias e uns panos de prato, que atire a primeira pedra”, comentou uma visitante em tom humorado.

A celebração ao santo também conta com uma grande praça de alimentação que oferece opções de gastronomia variada, com destaque para as cocadas, que são um dos itens mais consumidos durante os dias da festa. Outro carro-chefe do evento é o famoso churrasco servido no pavilhão. A festa ainda conta com um parque de diversões que já é tradição do evento há décadas e faz a alegria de crianças de todas as idades.
Assim é a história da Festa do Bom Jesus da Cana Verde, que caminha para seus 100 anos unindo religião, cultura e diversão. Uma trajetória que transcendeu o ponto de vista religioso e se tornou um patrimônio cultural do Norte Pioneiro e do Paraná. Afinal, é a maior festa religiosa do Estado e uma das maiores do país.


