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BrasPine anuncia férias coletivas para funcionários em Jaguariaíva após taxação dos Estados Unidos

Fábrica de processados de pinus, uma das maiores empregadoras da cidade suspende produção e concede férias coletivas após anúncio de tarifa de 50% por Trump

Da Redação – com informações exclusivas da Folha Extra

Atualização da matéria 16h05

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JAGUARIAÍVA - A escalada nas tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos começa a produzir efeitos concretos na indústria brasileira. A empresa BrasPine Madeiras, uma das maiores exportadoras de produtos de pinus do país, anunciou férias coletivas de 30 dias para seus funcionários da unidade de Jaguariaíva, nos Campos Gerais. A medida ocorre após o governo americano, sob a gestão do ex-presidente Donald Trump, anunciar na semana passada uma elevação drástica das tarifas de importação de produtos brasileiros – de 10% para 50%.

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Segundo apuração exclusiva da Folha Extra, a BrasPine informou os colaboradores sobre a decisão na última quinta-feira (10), por meio de um comunicado interno, citando que foi surpreendida pela medida norte-americana. A tarifa, prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto, inviabiliza momentaneamente parte das operações de exportação da empresa.

NOTA: Após o fechamento desta matéria, a reportagem da Folha foi informada pela empresa que, na verdade, as férias serão direcionadas a 700 colaboradores da unidade da BrasPine em Jaguariaíva. Confira o texto completo AQUI!

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Impacto direto no setor exportador e no emprego regional

Com unidades industriais em Jaguariaíva e Telêmaco Borba, ambas localizadas na região dos Campos Gerais do Paraná, a BrasPine emprega cerca de 2.500 trabalhadores diretos. Em Jaguariaíva, a fábrica é considerada uma das maiores empregadoras da cidade, com papel fundamental na economia do município. A medida de férias coletivas representa um impacto significativo, tanto no aspecto econômico quanto social.

Unidade da BrasPine em Telêmaco Borba - Foto Divulgação Empresa

 

O setor madeireiro, especialmente na cadeia de processamento do pinus no sul do país, tem os Estados Unidos como principal mercado consumidor. A BrasPine exporta molduras, painéis e outros produtos de madeira processada com alto valor agregado, sendo reconhecida por sua atuação sustentável e por gerar milhares de empregos diretos e indiretos.

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“Estamos lidando com um cenário desafiador, mas mantendo o foco em um controle financeiro responsável, priorizando investimentos essenciais”

Além da nova tarifa, outro fator que pressiona a empresa é o acúmulo de estoques no mercado norte-americano. Fontes ligadas à empresa indicam que os armazéns com produtos das unidades de Jaguariaíva e Telêmaco Borba estão cheios, dificultando novos embarques. Com o aumento das tarifas e um mercado comprador já saturado, a direção optou por suspender temporariamente a produção e reorganizar as estratégias operacionais e financeiras.

“Estamos lidando com um cenário desafiador, mas mantendo o foco em um controle financeiro responsável, priorizando investimentos essenciais”, informou a empresa em nota enviada à reportagem. A expectativa da BrasPine é que as negociações diplomáticas avancem e tragam maior previsibilidade e estabilidade para o comércio bilateral nos próximos meses.

Repercussão e perspectivas

A medida da BrasPine acende um alerta para possíveis efeitos em cadeia em outros setores da economia exportadora brasileira, sobretudo os que têm forte dependência do mercado norte-americano. A indústria de papel e celulose, agronegócio e o setor de metalmecânica também observam com atenção os desdobramentos da nova política comercial dos EUA.

Ainda em Jaguariaíva, outras fábricas do setor também sevem sentir o impacto negativo, caso da Arauco, que também produz derivados da madeira para exportação para o mercado norte-americano.

Análise: o que pode vir a seguir

A decisão da BrasPine pode ser um sinal precoce de um movimento mais amplo que poderá se espalhar para outros segmentos industriais brasileiros altamente expostos ao mercado norte-americano. A elevação abrupta das tarifas compromete a competitividade do produto brasileiro no exterior, inviabiliza margens de lucro e força empresas a desacelerar a produção – especialmente em cadeias com processos just-in-time, como o setor de base florestal.

Se a medida tarifária for mantida sem negociação, empresas de médio e grande porte devem rever projeções de faturamento, exportações e até empregos nos próximos meses. Municípios cuja base econômica depende de grandes indústrias exportadoras, como Jaguariaíva, poderão enfrentar efeitos colaterais como queda na arrecadação, desaceleração do comércio local e maior pressão sobre políticas públicas de apoio social e emprego.

Por outro lado, a resposta do governo brasileiro precisa ser cuidadosamente calibrada. Uma retaliação direta pode aumentar o clima de instabilidade e prolongar o impasse. A alternativa mais prudente, segundo analistas, é pressionar por negociações técnicas via organismos multilaterais e articular apoio político e comercial de outros países com interesses similares.

O caso da BrasPine, portanto, transcende uma crise pontual e aponta para a urgência de uma política industrial e comercial brasileira mais resiliente, diversificada e estratégica, menos vulnerável a choques geopolíticos e com maior presença em mercados alternativos.

 

 

 

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