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Há muitas luzes acesas na minha cabeça

Não me deixam dormir. Eu realmente não sei mais o caminho — então… só caminho.

Por Flávio Mello

Escritor e Secretário de Cultura

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@flaviomelloescritor

 

e isso sempre me impediu de dormir, pois meus eus passam as noites debatendo, lendo, pintando, fazendo recitais, declamando poesia, dançando — tal qual o Limbo de Dante Alighieri… na escuridão profunda do meu eu há uma luz que nunca se apaga. Será Arte?

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Eu realmente não sei mais o caminho — então… só caminho.

Digo isso porque não tenho um Virgílio para me servir de guia nessa senda. Ah, como eu queria tê-lo caminhando ao meu lado… mas o que tenho, talvez tal qual Drummond, é a bendita pedra no meio do caminho: “Na vida de minhas retinas tão fatigadas…” ou, quem sabe, a saudade dos meus oito anos: “Daquelas tardes fagueiras, à sombra das bananeiras / Debaixo dos laranjais.” ou ainda, quem sabe, apreciando um acendedor de lampiões que “Talvez não tenha luz na choupana em que habita.” ou ainda: “Os pés cansados e feridos de andar légua tirana / De lágrimas nos olhos de ler o Pessoa / E de ver o verde da cana.”.

Há uma infinidade de portas e janelas, de bifurcações, de estradas — há muitas luzes acesas na minha cabeça.

E o ser inquieto tem espasmos, treme de medo, tal qual o passo apressado sobre as poças d’água nas ruas… pois há iminência de guerra, há a Violência faminta se alimentando dos fracos, há a Ignorância — a senhora do destino da humanidade — lecionando por meio das tecnologias.

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Há também o Descaso, que veste túnicas, hábitos, ternos, e sorri gordo, com as mãos na pança, admirando seu trabalho: fome, sede, abandono, humilhação…

Há quem diga que a Verdade anda envergonhada, que a Mentira anda vestida com suas vestes. Há uma pintura linda sobre isso — e eu não consigo dormir.

Lembro-me de um poeta que disse:

O preço do feijão

não cabe no poema.

O preço do arroz

não cabe no poema.

Tal qual Gullar, eu sei o meu lugar.

Há muitas luzes na minha cabeça. Não me deixam dormir. Eu realmente não sei mais o caminho — então… só caminho.

Cheguei aos 47 anos. Passei do meio do caminho, isso eu sei… e Dante era muito mais novo do que eu quando chegou ao mesmo lugar. A diferença entre nós é que ele escreveu e viveu uma epopeia — e eu ainda não sei qual será minha obra máster.

Nós, artistas, estamos fadados a vagar absortos no mundo, indignados com tudo que nos cerca — pois é a ARTE que nos alimenta. E, na maioria das vezes, esse alimento é indigesto.

Como disse outro poeta: “Há uma gota de sangue em cada poema.” E, se eu choro, é de saudade. Certo eram o Vinicius e o Tom… copo de uísque, cigarros, folhas de papel e um piano.

Que coisa mais linda!

 

Flávio Mello é escritor, músico e gestor cultural paulistano, com obra marcada por lirismo urbano, crítica social e escuta sensível. Após um acidente na juventude, encontrou na literatura um caminho de reconstrução e expressão profunda. Estabelecido em Siqueira Campos (PR), transformou a cena cultural local por meio de projetos, festivais e políticas públicas, sendo amplamente reconhecido por seu impacto regional. Sua escrita transita entre o realismo brutal e a poesia do cotidiano, abordando temas como infância, fé, masculinidade e resistência. É membro de academias literárias e segue criando, também na música, com um projeto de doom metal filosófico.

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