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E o Ney, hein?

Ney é um David Bowie tupiniquim. Mais do que isso: é um reflexo selvagem do que temos de melhor.

Por Flávio Mello

Colunista e Secretário de Cultura

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@flaviomelloescritor

 

Fico feliz em ver que Ney Matogrosso “voltou às manchetes” — e, diga-se de passagem, envolto em uma comoção maravilhosa. Acredito que muitas pessoas, infelizmente, ainda o desconheciam... e, às vezes, o vulcão precisa entrar em erupção. Fico triste que, mesmo sendo um artista renomado e muito respeitado, isso ainda não seja suficiente para o Brasil entender sua importância avassaladora em nossa cultura. Ney é um ser humano extraordinário — daqueles que nascem a cada cem anos, talvez mais.

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Seja nas artes plásticas, na moda, na música, na sexualidade — Ney é um David Bowie tupiniquim. Mais do que isso: é um reflexo selvagem do que temos de melhor. Todas as culturas correm ardentemente em suas veias, como a lava de um vulcão.

Eu tive o privilégio — e o trago comigo. Como já disse em outras crônicas, cresci numa casa de livros e discos. Música fazia parte do nosso cotidiano. Graças a Deus, meus pais e meus irmãos mais velhos tinham ótimo gosto. Eu consumia o que eles consumiam — ou melhor: eu era como aqueles pequenos peixes que seguem os tubarões, se alimentando dos restos, mas se sentindo plenamente saciados. E isso me fazia feliz.

Tenho em casa os LPs originais do Secos & Molhados, aqueles mesmos da década de 70. Por mais que a capa traga os desgastes e os desmazelos do tempo, são os mesmos discos que ouço há mais de 30 anos. E também diversos álbuns do Ney solo. Ouvi-lo é como ler a América Latina, como escutar Mercedes Sosa ou Milton Nascimento, como mergulhar na poesia de Neruda ou na prosa de Jorge Amado. Ouvi-lo é como transar sem medo em plena avenida movimentada... há uma adrenalina intensa. Talvez por isso — por esse estado de vertigem estética e sensorial que sua arte provoca — nunca senti necessidade de recorrer a nenhum entorpecente.

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Desde os anos 70, Ney rompe fronteiras com sua voz aguda, sua performance felina e sua coragem de ser livre — especialmente num tempo em que a repressão ainda imperava. Surgiu como vocalista do icônico Secos & Molhados, grupo que revolucionou a música brasileira ao misturar poesia, teatro, rebeldia e androginia. Mesmo com apenas dois discos, o impacto foi eterno: O Vira, Sangue Latino, Assim Assado são hinos de liberdade estética e política.

Com o tempo, Ney seguiu carreira solo e se consolidou como símbolo de resistência e originalidade. Hoje, aos 83, continua em plena atividade — com um corpo vigoroso, uma mente lúcida e uma presença magnética. Gosta dos tons graves que a idade lhe trouxe e jamais recuou de suas verdades. A força de sua arte continua inspirando. Prova disso é Yago Savalla, jovem de 16 anos, aluno do Liceu Salesiano de Salvador, que viralizou recentemente ao interpretar Homem com H numa festa junina escolar.

Fico feliz que Ney tenha se tornado notícia. Pois merece. E é bom ver que temos agora um filme biográfico em que ele próprio dá o crivo à sua história. Um artista que continua lúcido, espirituoso, potente. Um artista que envelhece com dignidade — e sem jamais recuar.

Enfim — e o Ney, hein?

Sem “ais” — ele sempre esteve aí. Assim como tantos outros grandes artistas que por vezes não são vistos, pois a poluição visual é intensa. Não são ouvidos, pois a poluição sonora virou intelectualidade. Mas o Ney, não. Ney sempre foi — e sempre será.

Viva Ney. Viva a arte que resiste. Viva os que ousam.

 

 

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