A dengue continua a matar cada vez mais brasileiros, mas, ao contrário de outras epidemias, parece não despertar a atenção e a urgência necessárias. Apesar do aumento de casos e mortes ao longo dos anos, a doença segue sendo tratada com descaso por muitos, que ignoram medidas básicas de prevenção e contribuem, mesmo sem perceber, para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
No Paraná, desde o início do novo ano epidemiológico de 2025, o Estado já contabilizou 36.804 notificações, 7.108 casos confirmados e quatro mortes em decorrência da dengue. Uma dessas vítimas foi registrada em Carlópolis, no Norte Pioneiro do Paraná, evidenciando que a doença segue fazendo vítimas em diversas regiões.
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Por ser uma doença recorrente no Brasil, muitas pessoas passaram a encará-la como algo “normal”. O fato de os casos serem registrados anualmente faz com que a dengue perca visibilidade na mídia e, consequentemente, a pressão social por soluções diminua. Assim, o tema acaba sendo ignorado, e a falta de mobilização da população agrava ainda mais o problema.
“A dengue já é um assunto batido. Todos sabem as medidas de prevenção, os sintomas e que a doença pode matar. Justamente por isso, muitos acabam relaxando nos cuidados básicos, o que favorece a proliferação do mosquito”, explica Alexandre da Silva, Diretor de Endemias de Wenceslau Braz.
Segundo ele, há pessoas que se preocupam e eliminam os criadouros do mosquito, mas também existem aquelas que não adotam nenhuma medida preventiva, deixando seus quintais sujos e acumulando água parada.
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“Essa falta de empenho ocorre, em grande parte, porque muitas pessoas ainda não vivenciaram os efeitos reais da doença. Elas só percebem a gravidade do problema quando são infectadas ou quando um conhecido passa por complicações”, alerta Alexandre.
Outro fator que dificulta o controle da dengue é o ambiente propício para a reprodução do mosquito. O vírus circula em locais naturais, como poços d’água e áreas ao ar livre, e a variação climática entre calor e chuva favorece ainda mais o surgimento de novos focos. Dessa forma, é praticamente impossível eliminar totalmente a dengue, mas a redução de criadouros em residências pode ajudar a controlar a transmissão.
Diante dessa realidade, a reportagem da Folha conversou com moradores de Wenceslau Braz para entender se a população tem garantido a limpeza de seus quintais. Alguns disseram manter os terrenos limpos e evitar água parada, mas não quiseram se aprofundar no assunto. Outros preferiram não comentar sobre a situação, o que reflete a falta de engajamento da sociedade na luta contra a doença.
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Apesar das dificuldades, as medidas preventivas continuam sendo a principal estratégia para combater a dengue. Pequenos hábitos no dia a dia podem fazer uma grande diferença, como manter tampas de vasos sanitários fechadas, retirar água acumulada em objetos no quintal, esvaziar a bandeja externa da geladeira e cuidar da limpeza dos quintais para eliminar possíveis criadouros.
A dengue pode se manifestar de forma leve, com febre alta, dor de cabeça, cansaço e dores no corpo, mas também evoluir para sintomas mais graves, como vômitos persistentes, sangramentos e queda de pressão. Nos casos severos, conhecidos como dengue grave ou hemorrágica, pode haver falência de órgãos e choque circulatório, levando o paciente à morte se não houver atendimento rápido.
Sem a conscientização da população e ações mais rigorosas do poder público, a dengue continuará fazendo vítimas silenciosas. Enquanto a sociedade seguir ignorando o problema, o mosquito Aedes aegypti continuará se multiplicando e ameaçando vidas.