Após aproximadamente 120 dias sem chuva, os paranaenses estão sendo castigados com uma inconsistência climática marcada por períodos de frio, calor e tempo seco.
A confusão dos fenômenos naturais tem impactado diretamente a vida das pessoas, que podem ser submetidas à racionamento, e também no andamento da agricultura e pecuária, cuja produtividade são drasticamente afetadas pela seca.
Em contato com a assessoria regional da Sanepar do Norte Pioneiro, a Folha Extra foi informada de que o abastecimento de água urbano na região está sob controle, contudo a prevenção e o uso racional são indispensáveis, pois já é notório que as fontes sofreram diminuição na quantidade de água e em algumas comunidades rurais a escassez do recurso já assusta moradores.
No bairro Farturinha, pertencente ao município de Wenceslau Braz, alguns moradores do local sofrem com a seca que está comprometendo o abastecimento de água de famílias que residem na região, como conta a moradora Sheila Souza.
“Desde que moramos aqui nunca precisamos nos preocupar com a quantidade de água da nascente, pois sempre teve o líquido em abundância, porém, como de costume fomos visitar a fonte e percebemos que água está muito abaixo do normal, o que nos trouxe preocupação”, lamenta.
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“Nesse mês o nosso uso permaneceu normal, então essa diminuição eu acredito que seja devido a falta de chuva, não há outro fator que possa ter contribuído para isso”, frisa.
No Bairro dos Damas, outra comunidade rural do município brazense, há cerca de dois meses a prefeitura municipal tem levado água através de um caminhão pipa, pois a nascente sucumbiu a seca e perdeu a capacidade de fornecer água até mesmo para o consumo dos moradores.
Segundo o secretário de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente, Antônio Ricardo Neto, no bairro KM-10, a situação era a mesma até eles recuperarem uma mina do local. Contudo, ainda estão sendo necessários três caminhões pipas por dia para as zonas rurais, um total de 18 caminhões por semana para consumo humano, irrigação de hortas e água para os animais.
Em consulta ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a redação foi informada que, devido à falta de chuva, as nascentes acabam não tendo reposição, esse fato, ligado ao desmatamento, colabora para a escassez de água, uma vez que a desarborização prejudica a proteção do solo e dos recursos hídricos.
Além disso, é necessário ficar atento se a capacidade da nascente tem condições de suprir a necessidade daquele número de pessoas que reside no local, lembrando que o trabalho de proteção é de todos.

Os municípios da região de Ibaiti, por exemplo, recebem seu abastecimento do Ribeirão Grande; Jacarezinho do rio que leva o nome da cidade; Santo Antônio da Platina - Ribeirão das Bicas; Wenceslau Braz - Rio Natureza, já em Arapoti o fornecimento de água é através de poço.
Segundo a Sanepar, percebe-se que nessas fontes o nível está abaixo do normal, pois nos locais onde são feitas as captações se encontram com desmatamento acentuado nas margens, o que contribui para a escassez do recurso.
Entretanto, a companhia frisa que, se houver falta d’ água, a Sanepar reforça o abastecimento com auxílio de caminhão pipa com água de municípios que estão com boa produção.
Dados do Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) mostram que na próxima segunda-feira (30) existe há possibilidade de mudança nas condições atmosféricas, ou seja, há chances da tão esperada chuva aparecer, o que deve amenizar o déficit de água nas nascentes e fontes de abastecimento dos municípios. Todavia, é importante utilizar a água de forma racional, evitando desperdícios.


