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Meliponicultura e biodiversidade avançam no Paraná com apoio da Itaipu Binacional

Projeto Opaná utiliza a meliponicultura como ferramenta de segurança alimentar e conservação ambiental nos territórios indígenas

Na última semana, teve início a instalação dos meliponários do Opaná: Chão Indígena, projeto da Fundação Luterana de Diaconia (FLD) em parceria com a Itaipu Binacional que, desde março deste ano, vem impulsionando a segurança alimentar das comunidades Guarani do Oeste e litoral paranaense. Após a etapa de implantação de quintais produtivos e roçados, o projeto avança agora com a instalação de 46 meliponários, contendo sete caixas para captura de abelhas sem ferrão e 322 caixas com colmeias de espécies nativas, distribuídas pelos 32 territórios indígenas participantes da iniciativa. 

Abelhas sem ferrão, como a jataí, mandaçaia, mirim e tubuna, são espécies nativas do Brasil, pertencentes à família Apidae, tribo Meliponini. Segundo Marcel Mello, assessor de projetos da FLD e criador de abelhas nativas, elas desempenham um papel essencial no equilíbrio ambiental e ecossistêmico através da polinização, que é indispensável para a formação dos frutos, sementes e alimentos diversos. Além de sua importância ambiental, a criação de abelhas também contribui para a saúde humana, através de seus produtos como o mel, o própolis e o pólen. 

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De acordo com Marcel, o pólen é um poderoso multivitamínico, especialmente rico em vitaminas do complexo B, que promove maior disposição e vitalidade. O própolis, por sua vez, é considerado um antibiótico natural, que fortalece a imunidade e possui ações antibacterianas, antifúngicas e antivirais. Já o mel, além de seu elevado valor nutricional, oferece propriedades imunológicas e protetoras ao organismo como um todo. Outro produto da meliponicultura é a cera, amplamente utilizada em cosméticos, na fabricação de velas e na produção de cremes e pomadas, entre outras aplicações.

A seleção das espécies nativas pelo projeto Opaná considerou as características específicas dos biomas e dos territórios Guarani, priorizando três espécies: mirim, tubuna e mandaçaia. No oeste paranaense, que apresenta temperaturas mais altas, as espécies mirim e tubuna foram priorizadas por sua melhor adaptação a essas condições, enquanto no litoral também pôde ser incluída a espécie mandaçaia, que prefere temperatura um pouco mais amena. Além dessas três, a iniciativa também vem trabalhando na captura de abelhas jataí, através da produção de iscas junto às comunidades indígenas.

 

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O cuidado com as abelhas nativas na cultura Guarani

Milciade Benites, cuidador de abelhas do Tekoha Pohã Renda, do Oeste do Paraná, destaca que as jataí, em especial, têm um papel fundamental na vida cultural e espiritual do povo Guarani. “Para nós, essas abelhas são como uma família. O mel que elas produzem não só nos alimenta, mas também é um poderoso remédio. Desde o início, elas fazem parte da nossa história”, explica.

A presença das abelhas é igualmente significativa na Casa de Reza, onde elas contribuem com sua cera para a confecção das velas utilizadas ritualisticamente, como no batismo das crianças. "A cera das abelhas nos permite batizar nossos filhos e também os alimentos, como a mandioca, a melancia, o feijão. Quando comemos alimentos sem esse ritual, especialmente os que são contaminados por venenos, eles podem causar mal a nós", afirma.

Entretanto, Milciade também alerta para um desafio crescente: o desmatamento. A devastação ambiental tem dificultado a sobrevivência das abelhas, comprometendo não apenas a produção do mel, mas também o equilíbrio ecológico. Por isso, para ele, é muito importante que as comunidades se envolvam ativamente na preservação dessas espécies. Seu plano é expandir cada vez mais a criação de abelhas nativas em seu território.

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Libório Benites, pai de Milciade, também é um defensor da preservação das abelhas. Ele destaca a importância dessa prática para o futuro das novas gerações. Em sua visão, é fundamental que as crianças aprendam a cuidar das abelhas, para que esse conhecimento não se perca, pois “as abelhas são um grande remédio para o nosso futuro”, diz.

 

Impactos da meliponicultura

Segundo Marcel, a estimativa de produção de mel nos territórios varia de acordo com a espécie de abelha e o tempo necessário para a maturação das colmeias. Projeta-se que as primeiras colheitas possam ocorrer já no primeiro ano, com um aumento significativo na produção a partir do segundo ano, à medida que as colmeias se estabilizam e alcançam sua capacidade plena.

Com a implementação das novas colmeias, espera-se não apenas ampliar a produção de mel, mas também contribuir de forma significativa para a recuperação ambiental dos territórios indígenas. Além disso, a meliponicultura tem o potencial de exercer um impacto cultural positivo, contribuindo para resgatar práticas ancestrais e fortalecer a relação histórica das comunidades com as abelhas sem ferrão.

Estudos como o Relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, 2019) evidenciam que as espécies polinizadoras, dentre as quais as abelhas nativas, estão enfrentando ameaças crescentes globalmente, em grande parte devido ao desmatamento, ao uso intensivo de agrotóxicos e às mudanças climáticas. Esses dados ressaltam a urgência de fortalecer a meliponicultura e implementar ações que integrem a conservação ambiental com os saberes tradicionais, promovendo a proteção das espécies e fortalecendo a segurança alimentar.

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