O mês de julho terminou na última terça-feira (31) e com ele uma estatística que traz uma alta nos números de violência em municípios do Norte Pioneiro e parte dos Campos Gerais. A microrregião analisada é composta por 27 municípios onde a redação da Folha Extra faz cobertura e os índices da violência são assustadores.
Para iniciar a análise, os números de homicídios foram os mais altos desde o início do ano, uma situação atípica, mas que trouxe à tona questões delicadas como a motivação para tais crimes, que, na maioria das vezes, estavam ligados a embriaguez, uso de drogas e discussões por motivos banais.
Em julho deste ano, foram seis homicídios consumados noticiados pela Folha Extra, registrados nos municípios de Wenceslau Braz, São José da Boa Vista, Sengés, Congoinhas (2) e Santo Antônio da Platina. Em um comparativo com junho, o número dobrou.
Se por um lado as armas de fogo são consideradas perigosas, no mês de julho, a arma mais usada em crimes foi a inofensiva faca de cozinha, utilizada em duas mortes e quatro agressões.
No intervalo entre junho e julho, em meio aos crimes mais corriqueiros, surgiram dois desaparecimentos, ambos registrados em Jaguariaíva, além do sequestro de um agente bancário também no município citado. Já em Japira foi registrado o rapto de uma criança de oito anos, caso ainda sob investigação da Polícia Civil de Ibaiti.

Violência contra a mulher
As ocorrências de violência contra a mulher também aumentaram consideravelmente, sendo registrado um caso investigado como feminicídio, cuja vítima estava grávida (Jaguariaíva); uma lesão corporal grave com faca; além de outras sete agressões graves, incluindo um caso de cárcere privado (Ibaiti).
Estas situações envolvendo vítimas femininas, não condizem com o número real de mulheres que sofrem agressão todos os dias. Uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo/SESC constatou que cinco mulheres são espancadas a cada 2 minutos no país, sendo o parceiro (marido ou namorado) o responsável por mais 80% dos casos reportados. Contudo, um levantamento do Data Senado de 2017 mostrou que 27% das vítimas ainda não fazem nada em relação ao autor da agressão.
Acidentes
Mas quando se trata de mortes provocadas, os piores vilões continuam sendo as estradas que, muitas vezes sem sinalização, repletas de curvas e trechos perigosos, acabam tirando a vida de pessoas inocentes. No entanto, não são somente as rodovias da morte, as protagonistas de acidentes no Norte Pioneiro, mas a imprudência, por vezes acompanhada de embriaguez ao volante, acabam consolidando as estatísticas mortais.
Em um comparativo entre o mês de junho e julho, houve empate entre as mortes causadas por acidentes envolvendo carros, motos e caminhões. Entre atropelamentos, colisões e capotamentos, foram 15 mortes em cada mês, totalizando 30 em um intervalo de 61 dias.
No ranking não foram contabilizados tentativas de homicídio ou agressão simples, acidentes com feridos, furtos, roubos, tráfico ou posse de drogas, porte ilegal de armas, tentativas de fugas em cadeias, incêndios criminosos e desacatos.
Os números são referentes a fatos noticiados neste veículo, obtidos por meio de boletins de ocorrência da Polícia Militar.


