A Secretaria de Estado da Saúde (SESA) apresentou na manhã desta terça-feira (15), na Assembleia Legislativa do Paraná, o relatório detalhado das ações implementadas no segundo quadrimestre de 2024, em audiência pública promovida pela Comissão de Saúde Pública, que comprova o empenhou R$ 4,4 bilhões em ações e serviços. Medidas de combate à dengue, para a redução das filas de cirurgias eletivas, o atendimento efetivo aos moradores de ruas, a ampliação do serviço odontológico, a saúde dos idosos e a vacinação foram pontos destacados durante a reunião.
O deputado Tercilio Turini (MDB), presidente da Comissão, questionou sobre a possibilidade de se estender para outros municípios paranaenses o Método Wolbachia (que soltou os primeiros mosquitos Aedes aegypti com a bactéria que evita que transmitam dengue, Zika e Chikungunya, em julho, no Paraná). A nova tecnologia prevê a liberação de 26.156.800 Wolbitos (1.307.840 por semana) em 13 bairros do município de Foz do Iguaçu, até o final do ano. A implementação da estratégia no Paraná conta com a parceria do Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto WMP (World Mosquito Program), Itaipu Binacional e da Prefeitura de Foz do Iguaçu.
Turini também manifestou sua preocupação em relação a ampliação das políticas públicas voltadas a saúde dos idosos, sugeriu um mutirão odontológico, falou sobre a necessidade de verificar formas de avançar no atendimento as cirurgias eletivas e o atendimento aos moradores de rua – que apresentam problemas de dependência química e transtornos mentais. “Hoje já temos, em Londrina, 16% da população com mais de 60 anos. Projeções mostram que em 2050, 30% desses moradores serão idosos”, exemplificou.
“Estou bastante preocupada”, afirmou a deputada Marcia Huçulak (PSD), vice-presidente da Comissão e líder do Bloco Parlamentar da Saúde Pública, ao questionar os representantes da SESA sobre ações para o combate à dengue. Ela alertou para o fato de que muitos municípios paranaenses não contam com planos estratégicos para enfrentar esse problema, que costuma crescer no verão, e enfatizou que já tivemos uma epidemia de dengue. “Precisamos também falar sobre a importância da vacinação”, acrescentou a parlamentar. “Só 17,8% dos municípios com cobertura vacinal adequada em crianças menores de 1 ano. Tivemos óbito por coqueluche, volta do sarampo e estamos sob o risco de casos de paralisia infantil”, detalhou. Na opinião da parlamentar, há necessidade de uma campanha de conscientização da população sobre a importância das vacinas.
O secretário de Estado da Saúde, o médico César Neves, que na ocasião, fez a apresentação detalhada do relatório de atividades e recursos empenhados na área, de maio a agosto deste ano, concordou com os parlamentares em relação as preocupações e considerações apresentadas durante a reunião. Sobre o combate à dengue disse que a questão “é altamente preocupante”. “Infelizmente, muitas pessoas não fazem uma política de estado. Fazem uma política própria”, criticou quando foi questionado sobre a falta de comprometimento com a saúde pública demonstrada por alguns gestores municipais. Na avaliação dele, todas as medidas tecnológicas disponibilizadas, como o Método Wolbachia, ainda são “extremamente tímidas” e de longo prazo.



