Um casal morador do município de Nova Fátima, região do Norte Pioneiro, está passando por uma situação complicada e a família teme pela vida de uma mulher que está enfrentando sérios problemas de saúde. Juliana dos Santos Rodrigues e Júlio Cesar Pereira procuraram a reportagem da Folha para denunciar um descaso que estão sofrendo por parte da secretaria municipal de Saúde.
De acordo com os relatos de Juliana, ela tem diabetes do tipo 1 e, há cerca de dois meses, teve sérios problemas relacionados a doença e chegou a ficar internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa de Cornélio Procópio. “Eles não quiseram ministrar o antibiótico pela veia e eu não posso tomar via oral. Me disseram que o município não tinha o medicamento para ser ministrado pela veia e que não iriam comprar. Pediram exames e nós fizemos, mas não tive atendimento e a diabete explodiu. Fui parar na UTRI onde fiquei 12 dias”, desabafou.
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Após sair da UTI, Juliana conta que mal sabia que seu pesadelo estava apenas começando. “De lá para cá a situação só vem complicando e minha saúde está cada vez pior. Nós pedimos atendimento, pois estou muito fraca e não consigo estar indo ao hospital, mas eles não vêm. Quando preciso ir de ambulância, eles não mandam e, quando mandam, vem apenas o motorista sem enfermeira e meu marido que tem que ajudar a me colocar na ambulância. Já cheguei a ser maltratada lá no hospital”, contou.
O marido de Juliana também falou sobre a situação. “Minha esposa tinha mais de 60 kg antes de acontecer tudo isso e agora ela não pesa nem 40 kg. Foi solicitado para fazer uma ressonância já faz dois meses e até agora nada. Quando ela vai para o hospital e nós pedimos para que façam exames para saber o que está acontecendo com ela eles não fazem, eles apenas aplicam Tramadol (um analgésico) e mandam ela embora. A minha esposa não consegue se alimentar direito e eles se negam a ministrar o soro para ela. A Juliana está morrendo”, disse Júlio.
Júlio também relata que não consegue trabalhar para manter a família devido a situação em que sua esposa se encontra. “Eu passo o dia cuidando dela, pois ela não tem forças para levantar. A Juliana não come direito, tem ânsias e chora o dia todo. Temos três filhos e também tenho que cuidar deles, aí não consigo trabalhar. Até para ir à escola fazer a matrícula das crianças foi difícil, pois não posso deixar ela sozinha”, relatou o marido.
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Indignado com a situação e com medo de perder a esposa, Júlio procurou a delegacia da Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência sobre o caso. O marido de Juliana também contou a reportagem que buscou ajuda de um advogado para denunciar a situação ao Ministério Público.
A Folha entrou em contato com José Augusto Fabri, secretário de Saúde de Nova Fátima que apresentou outra versão sobre o caso. “A Juliana é uma pessoa querida de toda a equipe que acompanha o caso dela. Ela está sendo bem atendida, está recebendo visita domiciliar das equipes da Saúde que vão até a casa dela para coletar os exames e estamos acompanhando todo o prontuário dela”, justificou.
Ainda conforme o secretário, Juliana era moradora do estado de São Paulo e quando chegou ao município estava grávida. “Quando ela veio ela já tinha a diabetes e estava com uma gravidez de alto risco. Realizamos o pré-natal e todo acompanhamento”, explicou. “Em relação a situação dela, sempre buscamos ela em sua casa e já solicitamos o internamento para que possa ser feita a investigação, mas a paciente não aceitou. Ela prefere ser medicada e voltar para casa, aí as dores que ela tem voltam. Temos que fazer a internação para ter um diagnóstico preciso e poder realizar o tratamento. Ela também faz tratamento com morfina que não pode ser aplicada de qualquer forma, pois pode causar uma parada cardíaca”, explicou.
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Sobre a questão das ambulâncias, o secretário informou que não é sempre que há veículos disponíveis. “Às vezes não podemos buscar na hora que eles chamam, pois temos vários pacientes, inclusive, uma das pacientes que atendemos em um dia que eles haviam chamado estava em estágio terminal devido a um câncer e veio a falecer na segunda-feira”, explicou.
Em relação ao exame de ressonância que, segundo o casal, já foi pedido há dois meses, o secretário de Saúde disse a reportagem que está agendado para esta semana.
Já na tarde desta terça-feira, Juliano entrou em contato novamente com a equipe da Folha informando que uma equipe da secretaria municipal de Saúde esteve em sua casa, mas não foram realizados exames nem medicação. Segundo Juliano, a equipe disse que Juliana seria encaminhada para um psicólogo.