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Moradores do Norte Pioneiro dividem cada vez mais espaço com animais selvagens

De tamanduás a onças pardas, principalmente na zona rural dos municípios a presença destes animais é cada vez mais constante

A região do Norte Pioneiro é uma das áreas do Paraná onde mais há matas nativas e fechadas, fazendo com que os municípios concentrem uma variedade de animais silvestres, tanto em relação as aves e répteis, quanto aos mamíferos. Com o avanço do agronegócio e plantio de culturas, cada vez mais é comum que os moradores destas localidades tenham contato com estes animais.

Com este cenário cada vez mais comum no dia a dia dos norte pioneirenses, a Folha conversou com o biólogo Diego Resende Rodrigues, que atua como professor na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), do município de Bandeirantes, e falou a reportagem sobre quais são os animais mais comuns na região, seus hábitos e, principalmente, como as pessoas devem reagir caso se deparem com alguma espécie de animal silvestre no local onde moram.

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Primeiramente, Diego falou sobre os animais silvestres que habitam os municípios da região e os que são mais comuns de serem encontrados. “Temos uma grande Biodiversidade no Norte Pioneiro de animais silvestres de vários grupos taxonômicos, mas para mamíferos temos três grupos com muitos representantes que são a ordem carnívora, como o cachorro-do-mato, a onça-parda, a jaguatirica, a irara, entre outros. Representando a ordem rodentia temos a capivara, o rato-do-mato, a paca, a cutia, o ratão-do-banhado, entre outros. Na ordem didelphimorphia temos o gambá e a cuíca”, detalhou.

Na região de Wenceslau Braz, por exemplo, é comum moradores relatarem terem avistados o popular cachorro-do-mato, tucanos e até mesmo as temidas onças-pardas. Os casos acontecem principalmente na zona rural do município, mas também já houve situações muito próximas a cidade. Em maio deste ano, por exemplo, uma onça-parda foi encontrada morta as margens da rodovia PR-092 há poucos quilômetros do Centro da cidade, o que causou espanto entre a população.

A situação também é comum em outros municípios da região. No ano de 2021, por exemplo, uma onça-parda foi atropelada na região de Ribeirão Claro. Neste caso, o animal sobreviveu e foi resgatado recebendo o nome de Mari. Ela passou por um tratamento com células tronco realizado pelo hospital veterinário da Unifil. Em abril de 2022, recuperada a onça foi solta para viver novamente a natureza.

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Neste cenário, Diego orienta a população de como agir caso encontre algum animal silvestre ferido ou em casos de atropelamento, por exemplo. “Ao encontrar um animal silvestre machucado, ligue imediatamente para o Centro de Controle de Zoonoses de sua cidade. Caso não encontre o número, ligue para o 190 e contate a Polícia Militar Ambiental. Não tente oferecer nenhum tipo de ajuda, como água e curativos, isso pode apenas piorar o estado de saúde do animal. Agora, caso se você encontrar o animal transitando pela cidade, realize o mesmo procedimento e se afaste. Não tente prendê-lo ou imobilizá-lo sem a segurança necessária. Ligue para o 190 e informe o ocorrido. Caso a situação se desenvolva em um ambiente rural, se afaste e deixe que o bicho volte naturalmente para a natureza”, explicou.

No caso das onças e cachorros-do-mato, também é comum o relato de moradores da zona rural em relação ao sumiço de animais ou criações encontradas mortas, principalmente no caso de bezerros, carneiros ou galinhas. Neste caso, o biólogo orienta os produtores de como agir diante da situação. “A ideia é sempre de procurar por parcerias com Instituições que trabalham com Pesquisa (Universidades ou ONGs) para que esses produtores possam receber ajuda. Com certeza as Instituições irão prestar assessoria especializada como, por exemplo, a confecção de galinheiros fechados, cercas em locais específicos, e fazer um estudo da distribuição do animal silvestre para tentar entender o porquê ele está invadindo a área. Devido ao desmatamento e a fragmentação de florestas os animais estão cada vez mais sem habitats e alimento na floresta e se arriscam no ambiente rural e urbano para tentarem abrigo e comida”, destacou.

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Vale ressaltar que a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) e o Decreto nº 6.514/2008 que protege estes animais prevê punições caso ocorra a inflação de alguma delas, tendo como punições o pagamento de multas, a prisão, apreensão de animais, suspensão de atividades, perda de licenças, prestação de serviços à comunidade e restrição de danos ambientais para as pessoas que praticarem maus tratos, caça ou matarem estes animais.

Além disso, é importante colaborar com a preservação destes animais, visto que são nativos da região e tem funções importantes de contribuição com o meio ambiente. “Todo animal presta um serviço ecossistêmico essencial para o ambiente, como a dispersão de sementes, polinização, controle de pragas da agricultura, ciclagem de nutrientes, estabilidade dos ecossistemas, contribuição para a medicina, no turismo e educação ambiental e ajuda com relação as mudanças climáticas, entre outros fatores importantes. Por isso, é importante preservá-los”, finalizou.

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