O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, reagiu às críticas de seu vice, general Hamilton Mourão, contra o 13º salário, reveladas por VEJA nesta quinta-feira (27). Na última terça-feira (25), em uma palestra na Câmara de Dirigentes Lojistas de Uruguaiana (RS), Mourão classificou o direito como “jabuticaba” – isto é, que só ocorre no Brasil – e afirmou que “se a gente arrecada doze, como é que nós pagamos treze?”.
No início desta tarde, por meio de sua conta no Twitter, Bolsonaro disse que o 13º salário “está previsto no art. 7º da Constituição em capítulo das cláusulas pétreas (não passível de ser suprimido sequer por proposta de emenda à Constituição”. Sem citar diretamente seu companheiro de chapa, o presidenciável afirmou que criticar o direito “além de uma ofensa à [sic] quem trabalha, confessa desconhecer a Constituição”.
Jair Bolsonaro não comentou a crítica de Mourão em relação ao pagamento do adicional de férias aos trabalhadores, igualmente tachado como “jabuticaba” pelo general reformado do Exército. “É complicado, e é o único lugar em que a pessoa entra em férias e ganha mais, é aqui no Brasil. São coisas nossas, a legislação que está aí, é sempre aquela visão dita social, mas com o chapéu dos outros, não é com o chapéu do governo”, disse Hamilton Mourão em Uruguaiana.
Em sua explanação, o vice de Bolsonaro disse que, em um governo do deputado federal, seria feito um ajuste fiscal com “disciplina fiscal”.
“Terá que ser produzido um ajuste fiscal, se não for produzido um ajuste fiscal o governo vai fechar. Isso vai importar em sacrifício de toda ordem, quem está dizendo que vai ser anos maravilhosos logo no começo está mentindo escandalosamente para a população”, afirmou ele, que propôs “enxugamento do Estado”, “liberalização financeira”, “desregulamentação”, abertura comercial e revisão progressiva de desonerações.
A manifestação de Mourão soma-se a outras de ampla repercussão que proferiu nas últimas semanas. Ele afirmou que casas com apenas mães e avós são "fábricas de desajustados" e chamou países latino-americanos e africanos com os quais o Brasil teve relações comerciais de "mulambada".
Depois desses episódios, o general foi repreendido por Bolsonaro e, por decisão da cúpula da campanha, ouviu que não deveria mais participar de eventos públicos com frequência.
Fonte: Veja


