O envolvimento de pessoas com o álcool e drogas acaba gerando problemas que envolvem desde os dependentes até as suas famílias e a sociedade como um todo. Se este tipo de situação faz lembrar cenários de cidades grandes, como caso da “Cracolândia” em São Paulo, infelizmente a situação esta cada vez mais presente mesmo nas cidades pequenas.
No município de Wenceslau Braz, a prefeitura municipal, os órgãos de assistência social, as autoridades policiais e a Justiça vêm se desdobrando em busca de uma solução para os problemas enfrentados com dependentes de álcool e drogas.
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Frequentemente a população brazense tem cobrado uma solução para os problemas e transtornos causados por pessoas que se concentram nas Praças da cidade, principalmente na região Central em frente a Igreja Matriz, para consumir bebida alcoólica e pedir dinheiro. A questão é que em alguns casos a situação acaba saindo de controle havendo o registro de brigas, furtos e ameaças.
Uma leitora que preferiu não se identificar disse a reportagem que a situação está cada dia mais complicada. “Tem dias que é difícil passar por ali, pois eles vêm pedindo dinheiro, pedem cigarro e se a pessoa não dá eles ficam bravos e fazem ameaças. A sensação é de medo”, desabafou a brazense.
Em busca de uma solução para o problema e para proporcionar auxílio a estas pessoas, a prefeitura municipal de Wenceslau Braz, por meio da equipe da Assistência Social e com apoio da Polícia Militar, realizou uma ação de intervenção em diferentes pontos da cidade na manhã desta quinta-feira (12). O objetivo foi conversar com as pessoas que frequentam estes locais públicos e acabam envolvidas em confusões ou causando transtornos.
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Alessandra Amaral, coordenadora do Centro de Referência a Assistência Social de Wenceslau Braz, falou a Folha sobre o objetivo da intervenção.
“Estamos fazendo uma intervenção na Praça da Matriz com usuários de bebida alcoólica ou de drogas. É uma ação que já vem sendo realizada desde 2021 e temos um contato há um bom tempo com essas pessoas. Porém, não conseguimos resolver isso da noite para o dia, pois é um processo que requer um trabalho a longo prazo. São pessoas que estão vulneráveis ao vício e precisam de ajuda”, comentou.
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O tenente Lúcio, da 2ª Companhia da Polícia Militar de Wenceslau Braz, também acompanhou a ação e falou sobre a situação no município.
“Este problema que estamos enfrentando em Wenceslau Braz são situações de origem social e de saúde pública. Estamos prestando todo apoio a Assistência Social do município bem como temos feito policiamento fixo aqui na Praça. Isso tem amenizado a situação, mas há alguns indivíduos que acabam incomodado os cidadãos e comerciantes da cidade. Pedimos para que a população não dê esmolas, pois acaba financiando esse comportamento. O município tem o CRAS para fornecer todo auxílio que eles precisam”, orientou o policial.
A coordenadora do CRAS também destacou a importância da colaboração da sociedade como um todo na busca de uma solução para o problema. “Estamos fazendo nossa parte e precisamos da ajuda da sociedade para conseguir mudar a vida dessas pessoas. Não dê esmolas, pois tudo o que eles precisam encontram no CRAS. Quando alguém pedir dinheiro, oriente a ir até a Assistência Social. Muita gente critica a situação sem entender o processo, mas caso a população tenha duvidas e queira entender como funciona esse trabalho, basta procurar o CRAS para ter todas as informações”, destacou Alessandra.

As equipes ainda aproveitaram a ocasião para esclarecer uma dúvida que paira sobre os brazenses em relação ao porque que estas pessoas não são presas.
“Eles não estão cometendo atos infracionais, por isso não tem como chegar aqui e prender alguém ou tirar da rua. Eles compram a bebida no bar e vão beber na praça. O problema é que estão abordando as pessoas e pedindo dinheiro para sustentar o vício. Então contamos com a colaboração da comunidade para não dar esmolas para essas pessoas e orientem elas a ir ao CRAS, pois lá vamos ter todas as condições de ajudar essas pessoas. Se eles pegam a esmola, irão gastar com o vício e continuar aqui”, explico Alessandra.
O tenente Lúcio também falou sobre a situação do ponto de vista criminal. “A origem de tudo isso não é uma questão policial. Há alguns casos que se houver alguma contravenção penal a equipe vai estar agindo conforme a ação que o autor vir a tomar, mas não podemos simplesmente chegar aqui e prender alguém. Reforçamos o policiamento preventivo para evitar que ocorram crimes”, explicou.
Na quarta-feira (11), foi realizada uma reunião com a participação do Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, secretarias municipais, prefeito Atahyde Ferreira dos Santos, o Taidinho, equipe de proteção, equipe do CRAS e um vereador e comerciante do município. Na ocasião, foram traçadas ações e metas a serem desenvolvidas durante o ano para enfrentar essa situação.