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Crise põe em risco funcionamento do Hospital Regional

Crise põe em risco funcionamento do Hospital Regional

Num momento em que a Funeas - Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Estado do Paraná anuncia a abertura, para o mês de agosto, da Unidade de Terapia Intensiva (UTI adulta), do Hospital Regional do Norte Pioneiro (HRNP), estoura um escândalo envolvendo a instituição em que profissionais que atuam na unidade, admitem a hipótese de fechamento do estabelecimento de saúde.

Vários funcionários do HRNP, entre enfermeiros e médicos, denunciaram uma série de problemas internos e apontam como pivô a diretora-geral Ana Cristina Micó. Vista como centralizadora, que não tem diálogo e não dá satisfações aos colaboradores e é classificada como ineficiente pelos servidores.

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Por conta da crise, a UTI neonatal, única da região, corre o risco de fechar por falta de profissionais. Segundo os denunciantes, três médicos intensivistas já se demitiram e outros dois estariam na iminência de romper o contrato com a Funeas. Além dos problemas estruturais, a situação se agrava pela falta de pagamento dos salários dos profissionais, que estão desde abril sem receber. “O mais triste é que a diretora Ana Micó não dá qualquer satisfação. Não nos atende, nem explica o que está acontecendo”, desabafou um médico.

A situação do Hospital Regional, segundo uma enfermeira que pediu anonimato, é muito grave. Ela relata que o sistema de ar condicionado da UTI neonatal está quebrado desde outubro do ano passado. O aparelho de gasometria, que mede o nível de oxigenação das crianças internadas na UTI ficou meses sem utilização e só há pouco tempo foi consertado.

Outro médico foi mais lacônico ao informar que há cinco meses o setor de agendamento de exames está praticamente paralisado e a diretora Ana Micó não resolve o problema nem dá qualquer satisfação. “Ela leva uma semana para atender uma ligação dos médicos. Temos conhecimento que o mesmo problema enfrenta o pessoal da 19ª Regional de Saúde e do Cisnorpi. Nunca vi algo semelhante. Dá impressão de se tratar de um caso patológico, que demanda tratamento”, extravasou.

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Um terceiro médico, que igualmente pede sigilo sobre sua identificação, conta que o Centro Cirúrgico resume a situação de penúria do HRNP. Metade das lâmpadas está queimada e não são trocadas. O estoque de fios para suturas é escasso e, na unidade, apenas dois bisturis elétricos funcionam. Os demais estão queimados. Faltam medicamentos básicos e várias incubadoras estão ‘encostadas’ por falta de manutenção. “Faltam estetoscópios para os médicos. Um absurdo!”, exclamou.

O médico conta que a situação não era tão grave enquanto podiam contar com os serviços da então diretora-administrativa Fátima Isac, mas ela foi demitida, “por manobra sórdida da diretora Ana Micó, que via na colega uma ameaça pela eficiência da profissional e diálogo com todos os funcionários”.

Os médicos sugeriram formar uma comissão para tentar uma solução através de reunião com o prefeito de Santo Antônio da Platina, José da Silva Coelho Neto, o Zezão, responsável pela indicação de Ana Micó, que foi secretária de Saúde de sua administração, mas desistiram ao perceber que isso não resolveria o problema. “Vamos pedir socorro ao ex-prefeito Pedro Claro, que tem estreitas ligações com o governador Ratinho Junior. É a última esperança”, observou desolado um dos profissionais.

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A crise é tão grave, que a maternidade que possui nove leitos de tratamento pode ter a ala reduzida. “Estão anunciando a redução para quatro leitos. Hoje temos seis pacientes internadas nesta ala. Isso quer dizer que pelos planos da diretoria, duas pacientes não seriam atendidas”, observa.

UTI adulta

A Funeas, fundação criada pelo governo anterior para administrar vários hospitais do Paraná, entre os quais, o Regional do Norte Pioneiro, planeja colocar em funcionamento, em agosto, a UTI adulta, que disponibiliza 10 leitos. Diante do quadro caótico denunciado o anúncio cai no descrédito. “Como a Funeas vai por em funcionamento esta UTI num momento em que estamos presenciando o colapso da UTI neonatal, com risco iminente de fechamento”, questiona um dos médicos.

Entre os profissionais do hospital o funcionamento da UTI adulta é tratado com absoluto ceticismo. “Vão abrir a UTI adulta e fechar a neonatal”, resume uma enfermeira.

A reportagem procurou a diretora do Hospital Regional, Ana Cristina Micó, mas a recepcionista que atendeu a ligação informou que ela estava em uma reunião, mas consultada, teria dito que, por decisão da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA), qualquer informação sobre o hospital deveria ser solicitada junto ao setor de comunicação do órgão, em Curitiba.

Sem explicação

A reportagem conseguiu contato por celular com o presidente da Funeas, Marcelo Machado, que não confirmou a informação da diretora Ana Micó e demonstrou surpresa pela exposição dos problemas apresentados pelo jornalista. Com relação ao atraso dos salários dos médicos e enfermeiros, disse que consultaria sua equipe técnica sobre as razões do problema, sem entrar em detalhes sobre outras questões envolvendo as denúncias.

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